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sábado, 23 de outubro de 2010

Afinal, quando começou e para que serve o governo? por Solano Portela ?

Postado por Solano Portela
Em meu último post, um leitor fez um comentário sobre minha afirmação de que o Governo, no conceito da teologia reformada, haveria começado após a queda. Disse ele:

"Fiquei curioso devido ao fato que nas duas narrações bíblicas de Gênesis que relatam a criação, em ambas está implícito a capacidade de governar que foi dada por Deus ao Homem. Pois no primeiro relato (Gn Cap.1) encontramos Deus dizendo ao Homem:"...domine sobre..." (Gn 1.26) e "E Deus os abençou, e Deus lhe disse:...sujeitai-a...dominai (Gn 1.28); E no segundo relato (Gn Cap.2), diz: "E Adão pôs os nomes a todo o gado... (Gn 2.20)... a tudo o que Adão chamou...isso foi o seu nome (Gn2.19)". Ou seja, capacidade para governar, o Homem recebeu de Deus e isso não foi após a queda e a partir de Noé, mas já na criação original do Homem".

Este é, realmente, um ponto controvertido. Mas, para iniciar a discussão, não devemos confundir capacidade de organização com a instituição do governo humano (a regência de uns sobre outros). Veja que, nos exemplos acima, a classificação filológica realizada por Adão, demonstra capacitação, mas não governo, no estrito senso da palavra.

Tendo dito isso, é verdade que muitos estudiosos consideram a instituição do governo, ou “o estado” como sendo parte da organização social humana que antecede a queda em pecado. Um autor coloca a questão da seguinte maneira: “Existe uma forte indicação que o governo existiria mesmo se vivêssemos em um mundo sem pecado” (1). Na opinião deste autor, o governo faria parte dos atos criativos de Deus, que teria ordenado os métodos pelos quais os homens e anjos deveriam ser governados. Para ele, a base do governo civil está enraizada na nossa natureza de criaturas formadas à imagem e semelhança de Deus. Entretanto, esse mesmo autor afirma que a necessidade do governo é exatamente o controle da pecaminosidade humana, e ele se volta para o registro de Gênesis 9.

Essa opinião sobre a base e origem do governo, ou do “estado”, apesar de aparecer em círculos evangélicos, é mais característica do campo Católico Romano. Uma publicação católica faz a seguinte afirmação sobre os governos – “regimes cuja natureza é contrária à lei natural, à ordem pública a aos direitos fundamentais das pessoas, não podem alcançar o bem comum das nações das nações nas quais eles estão impostos” (2). O ponto a ressaltar, nessa afirmação, é o conceito do “contrário à lei natural”. Essa compreensão vê o governo como sendo uma conseqüência lógica da "lei natural". Além disso, o governo subsistiria em qualquer circunstância, pois sua finalidade seria promover “o bem comum”.

O Papa Leão XIII, em sua encíclica Imortale Dei, de 1885, disse (grifos meus):

"Não é difícil determinar qual seria a forma e caráter do Estado, se fosse governado pelos princípios da filosofia cristã. Os instintos naturais do homem o levam a viver em sociedade civil, porque ele não pode, vivendo isoladamente, prover para si mesmo com os requerimentos necessários a esta vida, nem obter os meios de desenvolver as suas faculdades mentais e morais. Conseqüentemente, é uma ordenança divina que ele direcione a sua vida, seja ela em família, socialmente ou na sociedade civil, juntamente com seus semelhantes, no meio dos quais as suas diversas necessidades serão supridas adequadamente. Mas nenhuma sociedade pode se manter coesa a não ser que alguém esteja sobre ela, direcionando todas as pessoas para que busquem com afinco o bem comum; cada comunidade civilizada deve possuir uma autoridade regente. Essa autoridade, bem como a própria sociedade, tem a sua fonte na natureza e, conseqüentemente, tem Deus como o seu autor".(3)

Percebem as implicações da visão católico romana, bem como as diferenças entre os dois conceitos? Deus é colocado como última causa, mas a ênfase é na sociedade (estado) como existindo em função dos “instintos naturais” das pessoas, para o bem comum. Há, igualmente, uma tendência a subordinar diferentes esferas (como, por exemplo, a família) ao estado, bem como em traçar um relacionamento muito mais incestuoso entre igreja e estado, do que o conceito bíblico-reformado.

A teologia reformada, em sua visão majoritária, considera o governo (ou o estado) como uma instituição pós queda em pecado. Isso não quer dizer que a sociedade humana sem pecado (em uma visão especulativa) seria carente em organização. Desorganização e caos são características do pecado. Um mundo sem pecado seria, por natureza própria, organizado e respeitador dos direitos e limites estabelecidos pela fonte de toda justiça – Deus.

Hebden Taylor, importante jurista e filósofo reformado, mesmo sendo ministro ordenado da igreja anglicana, ensinou no Dordt College (Estados Unidos), no meio da Igreja Cristã Reformada. Ele escreveu um livro importante sobre este assunto (4). Nele, ele diz:

“O estado existe em função da pecaminosidade humana, de tal forma que, com o seu poder de coação, o estado é uma instituição característica da graça comum, temporal e preservativa, de Deus. A visão católico-romana, que fundamenta o estado da esfera do natural, não faz justiça ao fato do pecado. Tanto no Antigo, como no Novo Testamento, o poder organizado da espada é relacionado, com ênfase, à queda do homem (Ro 13.1-5; 1 Pe 2.13; Ap 13.10; 1 Sm 12.17-25; 24.7, 11; 26.9-11; 2 Sm 1.14-16)”. (5)

O trabalho de Taylor consistiu, na realidade, na apresentação simplificada das idéias do filósofo holandês Herman Dooyeweerd sobre a “soberania das esferas”. Doyerweerd tem um tratado extenso e muito técnico, em quatro volumes, chamado “Uma Nova Crítica do Pensamento Teórico”, mas suas convicções específicas quanto ao pensamento cristão sobre o estado, foram expressas em palestras (“De Christelijke Staatside”) realizadas na cidade de Apeldoorn, na Holanda, em 1936, publicadas, posteriormente, como um livreto, sendo traduzidas mais tarde para o inglês. (6)

Dooyeweerd constrói sua idéia sobre o estado na tradição e trabalho de Agostinho, Calvino e Abraham Kuyper – que consideravam o estado uma conseqüência da queda do homem. Mesmo assim, o estado é uma instituição com uma esfera específica de autoridade – devendo responder a Deus, o doador desta autoridade, e sem exercer interferência na autoridade ou vida da igreja, ou da família – cada uma dessas, uma esfera de autoridade em si, responsáveis por suas missões e ações, na providência divina.

No desenvolvimento do seu pensamento, Dooyeweerd está constantemente apontando como a visão bíblica difere do conceito católico romano – a de que o estado é uma instituição natural, que existe para o bem comum.(7)

Uma outra análise de proveito, providenciada por Dooyeweerd, é a exposição feita do pensamento de Emil Brunner (discípulo de Karl Barth). Em função da visão neo-ortodoxa do cristianismo, que enfatiza o caráter subjetivo e supra-natural – divorciado dos fatos concretos da história, para Brunner (e Barth) o estado cristão é uma impossibilidade, “como o são a cultura cristã, o aprendizado cristão, a economia, a arte ou a ação social cristã”.(8)

Rejeitando esse conceito, Doyeweerd vê o estado como a ferramenta principal da graça comum de Deus. Ele mostra, igualmente, que a visão pagã do estado soberano sobre todas as coisas, provoca confusão das esferas de autoridade, o surgimento de governos e sistemas totalitários, a interferência do estado na família e na igreja e a legislação desvairada em áreas de moralidade às quais nunca recebeu responsabilidade divina de legislar. Uma aplicação contemporânea dessa interferência do estado pagão secular é vista nas legislações que se multiplicam procurando legitimar as uniões homossexuais (interferência com a esfera da família), ou que pretendem enquadrar disciplinas eclesiásticas contra homossexualismo, como sendo atitudes discriminatórias passíveis de punição legal (interferência com a esfera da igreja). Essa idéia pagã do estado procede de Aristóteles, para quem o estado é a forma mais elevada de união, na sociedade humana, da qual todos os demais relacionamentos sociais são apenas partes dependentes deste.(9)

Dooyeweerd insiste que a visão bíblica do princípio estrutural do estado o revela como sendo uma instituição de relacionamento social, que difere dos laços de sangue presentes na instituição da família. A função do estado, desde a fundação, é vista no aspecto histórico da realidade – um mundo submerso em pecado e uma instituição que recebe o direito monopólico da espada, sobre um dado território. Se existir deficiência nessa fundamentação (o direito de uso do poder coercitivo – a espada) – não se pode falar verdadeiramente da existência de um estado. (10) Ele lembra que: “Tomás de Aquino e a teoria política Católico-romana, disseminada após ele, ensinou que o estado, como tal, não foi instituído em função do pecado... o poder da espada, na visão católico-romana, não é parte da estrutura do estado. Isso é um desvio da visão das Escrituras, apresentada com convicção e vigor pelos pais da igreja, especialmente por Agostinho”. (11)

Ainda assim, mesmo no campo reformado, encontramos algumas divergências. Alguns apontam a instituição do governo em Gn 9.5-6, nas palavras proferidas por Deus a Noé, como representante maior da raça humana, cuja quase totalidade havia perecido no julgamento do dilúvio. Nesse entendimento, a própria raça humana havia sido deixada “sem governo”, de tal forma que a iniqüidade e a violência se multiplicaram na face da terra, culminando com o julgamento. Gn 9.5-6 institui o “poder da espada” e a delegação de que fosse exercitado “pelo homem”, contra os que desrespeitassem as leis de justiça e ceifassem vidas inocentes.

J. Oliver Buswell, teólogo reformado, autor de uma Teologia Sistemática, acha que o governo não foi “instituído pela primeira vez depois do dilúvio”. Ele continua indicando que “... pelas genealogias de Gênsis 5 e 11, pressupõe-se a existência de um governo patriarcal ou alguma forma dinástica de governo, desde as eras mais antigas”. (12)

Conclusão :
Muitas são as implicações desse entendimento reformado da instituição do governo:

a. Devemos rejeitar filosofias políticas que ignoram a pecaminosidade humana e que tratam a sociedade como se fosse moralmente "neutra".

b. Muitas teorias utópicas de governo têm essa premissa como base – algumas levam ao totalitarismo. Em sua obra clássica “A República”, Platão propôs um governo ideal no qual filósofos iluminados, transformados em reis, governariam a terra. Mas a Bíblia ensina que todos são pecadores (Rm 3.23). Esses “iluminados”, pecadores como os demais nem sempre seriam benevolentes, bem intencionados e justos.

c. O estado não pode transformar a natureza humana. Sua capacidade de ação é propositadamente limitada. Sua abrangência de ação ocorre sempre às custas de liberdades confiscadas em outras áreas. O estado pagão, se considera Deus, e se arvora no direito de legislar moralidade, de indicar o que é certo e o que é errado, quando ele deveria atuar debaixo dos princípios de justiça que emanam de Deus. Deve ser protetor do indivíduo, da família e da sociedade, e não proponente da dissolução moral que aniquila essas três esferas.

d. A família e a igreja são instituições que coexistem com o estado. De uma certa forma, estão sob ele, mas soberanamente atuam, cada uma em suas esferas – responsáveis, perante Deus, pelo exercício de suas prerrogativas e responsabilidades.

e. Para quê serve o governo? Para muito pouco, mas esse pouco é essencial. Serve para garantir a nossa segurança e para reconhecer os cidadãos de bem (Rm 13.1-7), dando-lhes oportunidades iguais de desenvolverem as suas desigualdades. Não serve para administrar empresas. Não serve como mero provedor de empregos sem critérios de eficiência. Não serve como supridor de assistencialismo perene, que gera dependência e tira a iniciativa. Não serve como base de ganho pessoal ilícito aos governantes. Não serve como instrumento de tirania, moral ou física. Não serve para estabelecer ou legislar o certo e o errado (mas deve SE REGER pelo certo, e não pelo erro). Não serve para tomar o lugar da família e postular como esta deve criar e NÃO disciplinar os filhos. Não serve para alterar parâmetros biológicos e para inventar casamentos entre os incapazes para tal. Não serve para abrigar assassinato de infantes. Não serve para o gigantismo que gera opressão e tirania (mas deve se enquadrar em suas limitações, dando espaço para os cidadãos respirarem livremente). Ou seja, não serve para a maioria das áreas que usurparam o foco e a área de concentração legítima - garantir nossa liberdade!

f. Por último, para eu não perder a viagem, nesta eleição de 2010, reafirmo que nenhum dos dois candidatos possui a visão correta dessas questões, pois defendem um coletivismo insano. No entanto vote naquele que tem uma plataforma de partido mais aproximada com a almejada proteção da família e da sociedade, em oração para os que estiverem no governo, lembrem-se de suas responsabilidades perante o Criador Soberano do universo, e sejam restringidos na apropriação pessoal dos bens que recebem para administrar a nação.

Solano Portela

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Notas:

(1) Kerby Anderson, Christian View of Government and Law (www.leaderu.com/orgs/probe/docs/xian-pol.html)

(2) Catechism of the Catholic Church (Liguori, MO: Liguori Publications, 1995).

(3) Papa Leão XIII, Encíclica Immortale Dei, 1885.

(4) Hebden Taylor, The Christian Philosophy of Law, Politics and the State (Nutley, NJ: The Craig Press, 1966), 653 pp.

(5) Ibid, 429.

(6) Herman Dooyeweerd, The Christian Idea of the State (Nutley, NJ: The Craig Press, 1966), 51 pp.

(7) Rousas John Rushdoony ressalta também este fato no prefácio da op. cit., p. xiii.

(8) Dooyeweerd, 2.

(9) Ibid, 8.

(10)Ibid, 40.

(11)Ibid.

(12)J. Oliver Buswell, A Systematica Theology of the Christian Religion (Grand Rapidas: Zondervan, 1962, 1968), 400
 
Fonte: http://tempora-mores.blogspot.com/2010/10/afinal-quando-comecou-e-para-que-serve.html

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O império mundial da burla por Olavo de Carvalho

Até umas décadas atrás, o jornalismo refletia a convivência, ora pacífica, ora conflitiva, das três forças que determinavam a sua orientação: o orgulho profissional dos jornalistas, que concorriam entre si na tarefa de informar mais e melhor; os objetivos econômicos dos empresários de mídia; e os diferentes interesses políticos que, através desses dois grupos, disputavam a hegemonia sobre as redações. A variedade das combinações possíveis, num ambiente de concorrência capitalista e liberdade democrática (mesmo em situações políticas não totalmente democráticas), demarcava os perfis dos diferentes órgãos de mídia, desde os grandes jornais e redes de TV até os tablóides de propaganda ideológica e os programas radiofônicos das mais modestas estações do interior.
Nos anos recentes, tudo mudou.

1) Por toda parte, a propriedade dos órgãos de mídia concentrou-se nas mãos de empresas multinacionais bilionárias, associadas ao projeto de governo mundial e dispostas a sofrer por ele até mesmo vultosos prejuízos financeiros, que por outro lado não as prejudicam de maneira alguma, de vez que são amplamente compensados por lucros obtidos em outros negócios. A tremenda queda de prestígio e a quase falência de jornais como o New York Times ou o Los Angeles Times não os induziu a mudar no mais mínimo que fosse as respectivas orientações políticas que puseram seus leitores em fuga: ao interesse financeiro imediato de uma empresa em particular sobrepõem-se os interesses estratégicos maiores dos grupos empresariais que a controlam de longe.

2) Desde que as maiores universidades, em quase todos os países do Ocidente, caíram sob o domínio de intelectuais ativistas imbuídos da mentalidade "pós-moderna" e "desconstrucionista", isso teve um efeito letal sobre a formação profissional dos jornalistas: a simples noção de objetividade jornalística não pode sobreviver num ambiente cultural onde a crença em verdades objetivas é tratada como um resíduo supersticioso de épocas bárbaras e um odioso instrumento de opressão capitalista. Se a obrigação dos intelectuais já não é mais buscar a verdade, mas apenas dar apoio a causas feministas, gayzistas, abortistas, globalistas e socialistas, mesmo aquele que não tenha grande entusiasmo pessoal por essas causas fica desprovido de um critério de veracidade pelo qual possa julgá-las, e acaba colaborando com elas, no mínimo, por omissão.

3) A convergência desses dois fatores gerou, como era de se esperar, a uniformização ideológica da mídia em escala mundial, transformando jornais, estações de rádio e redes de TV num maciço e coerente aparato de propaganda que cada vez menos admite divergências e cada vez mais se empenha em selecionar as notícias segundo sua conveniência política, desprezando cinicamente os critérios tradicionais de objetividade. O noticiário fraudulento, que num ambiente de concorrência capitalista normal acabava sempre sendo dissolvido pela variedade das abordagens jornalísticas mutuamente contraditórias, tornou-se a norma imperante, só contestada em publicações menores e em alguns sites de jornalismo eletrônico, facilmente neutralizados como "loucos", "teóricos da conspiração", "fofoqueiros da internet" etc.

Em resultado, os acontecimentos mais decisivos são freqüentemente mantidos fora do horizonte de visão do público, enquanto lendas, mentiras e imbecilidades úteis à causa comum do globalismo e da militância jornalística são alardeadas nos quatro quadrantes da Terra como verdades definitivas, sem que se ouça uma única voz de protesto contra a fraude geral. Trabalhando em uníssono com o show business, com as fundações culturais bilionárias e com os organismos administrativos internacionais, o jornalismo tornou-se pura propaganda, amparada num eficiente sistema de exclusão e boicote que só os mais valentes, cada vez mais raros, ousam enfrentar.

As grandes empresas jornalísticas já não têm nem mesmo a preocupação de camuflar a uniformidade mundial das campanhas que promovem: outro dia, 44 dos 56 maiores jornais do mundo publicaram o mesmo editorial, repetido em toda parte ipsis litteris, em favor da centralização do poder em escala mundial, para salvar o planeta de riscos aliás perfeitamente inexistentes.

Quase ao mesmo tempo, a Rede Globo, dominadora absoluta da audiência e portanto da formação da mentalidade pública neste país, exibiu novamente, como dado científico comprovado, o famoso gráfico de Al Gore, em que duas curvas, uma assinalando os aumentos das emissões de CO2, outra as elevações da temperatura terrestre, se superpõem harmoniosamente, "provando" a origem humana do aquecimento global.

Nos meios científicos, não há um só profissional idôneo que engula essa fraude grotesca. Todo mundo sabe que as curvas são similares, sim, mas que as elevações de temperatura antecedem e não se sucedem ao aumento das emissões de CO2 , isto é, que Al Gore inverteu propositadamente causa e efeito para fomentar a campanha do imposto mundial.

Já o escândalo do "Climagate", em que prestigiosos cientistas foram surpreendidos tramando falsificação de dados, vem sendo abafado por todos os meios possíveis: se você depender do New York Times ou da CNN para informar-se a respeito, não ficará jamais sabendo de nada, ou pelo menos terá a impressão de que a vigarice de alguns pesquisadores isolados não afeta em nada a confiabilidade das teses dominantes quanto ao aquecimento global. Impressão falsa. Philip Jones, Keith Briffa e Michael Mann, os pesquisadores de East Anglia pegos de calças na mão, são os principais autores dos dois relatórios da ONU que servem de base à campanha do imposto global, isto é, da extorsão global de três bilhões de dólares para salvar o mundo de uma ameaça forjada (v. http://www.telegraph.co.uk/comment/columnists/ christopherbooker/6738111/Climategate-reveals-the-most-influential-tree-in-the-world.html).

Do mesmo modo, os órgãos da "grande mídia" não publicam uma só linha quanto aos processos que a jornalista austríaca Jane Burgermeister está movendo contra a Organização Mundial da Saúde, o governo Obama e algumas poderosas indústrias farmacêuticas. As vacinas contra gripe suína, já obrigatórias em alguns Estados americanos, e que a presidência Obama pretende impor a todo o país, estão contaminadas com o vírus da gripe aviária, muito mais perigosa: é o que afirma Burgermeister, sustentando suas palavras com ações que não são de ordem a tornar a sua existência nem um pouco mais confortável (v. www.theflucase.com). Para impor a obrigatoriedade da vacinação, o governo americano e a OMS promoveram uma campanha alarmista, com forte apoio de jornais, TVs, universidades, instituições científicas e artistas de Hollywood, exagerando brutalmente os riscos da gripe suína. Agora, que as vacinas estão matando muito mais gente do que a própria gripe, a mídia e as autoridades se calam ominosamente, mostrando que não estão interessadas na saúde do público mas em proteger os autores de uma fraude genocida. E notem: os envolvidos nessa fraude são os mesmos apóstolos do imposto global, assim como os meios usados para ludibriar o público são os mesmos em ambos os casos: a propaganda maciça em escala mundial, travestida de "jornalismo", e a supressão sistemática dos fatos indesejáveis.

Cada vez mais, entramos num novo mundo onde não se poderá confiar em nenhuma instituição, em nenhuma autoridade, em nenhum prestígio, e onde cada um terá de buscar a verdade por seus próprios meios, se os tiver. Como a maioria não os tem, será cada vez mais difícil encontrar alguma diferença entre esse novo mundo e o império global da burla anunciado pelos profetas e pelo Falstaff de Verdi.

Fonte: Diário do Comércio, 14 de dezembro de 2009

Divulgação: www.juliosevero.com

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Não podemos esquecer que a atual política de "direitos humanos" do PT e de inspiração iluminista são DIREITOS DESUMANOS. Prof. Luis Cavalcante

Direitos desumanos


Desumano decreto presidencial engana o povo com medidas opressivas e ditatoriais

Julio Severo

Bem ao estilo soviético, Lula mostrou todas as suas unhas vermelhas, dos pés e das mãos.

Seu decreto presidencial de “direitos humanos” (Decreto 7037, de 21/12/2009, 3º Plano Nacional de Direitos Humanos), pretensamente feito com a aprovação e consenso do povo, viola os mais importantes direitos dos cidadãos brasileiros, dando para o mal a capa de “direitos humanos” e despindo a maior parte da população de seus legítimos direitos.

Para quem não sabe, na União Soviética, o maior modelo prático de socialismo do mundo, tudo era feito “no nome do povo”. Os tribunais, que condenavam inocentes e protegiam os criminosos do partido único, eram os tribunais “do povo”. Reagir contra essa “justiça” era considerado crime contra o próprio povo. O povo inocente era condenado em seu próprio nome!

É óbvio que toda essa conversa “do povo” e “para o povo” era na verdade apenas a dissimulação da própria arbitrariedade estatal. O Estado podia livremente violar direitos sob a desculpa de estar agindo “nos melhores interesses do povo”.

Não muito diferente, o governo socialista do Brasil alega sempre estar agindo “nos melhores interesses” dos pobres, ou dos oprimidos, ou dos deficientes, ou das mulheres, ou dos negros e agora dos gays — na mais avançada e modernizada malícia marxista.

Os comunistas soviéticos cometeram horrendos genocídios — tudo em nome dos melhores interesses do povo. Hoje, a sede de sangue e de aniquilação moral e ética vira, no decreto de Lula, defesa dos “direitos humanos”: aprovar o aborto, legitimar a prostituição, legitimar como “casamento” a conjunção carnal de dois homens moralmente pervertidos, legitimar como “cultura” a imposição das religiões afro-brasileiras nas escolas, deslegitimar e condenar os símbolos cristãos em estabelecimentos federais, canonizar terroristas comunistas, etc.

Em meu artigo Presente das Trevas, publicado no dia 22 de dezembro de 2009, alertei o Brasil que enquanto todos estavam descansando e curtindo a família e o feriado, Lula e seus camaradas estavam armando sua desumana bomba de “direitos humanos”. A bomba, entregue como decreto presidencial em 21 de dezembro de 2009, terá efeito devastadoramente letal se a população não se manifestar com força e coragem.

Se o decreto vermelho e moralmente invertido de Lula prevalecer, todos terão “direitos humanos” no Brasil, até “ratazanas”. Todos, menos os inocentes. Seu decreto na verdade decreta a extinção da moral, da ética, da propriedade privada, da liberdade de expressão e, com a aprovação do “casamento” gay, da liberdade religiosa.

O decreto de Lula estabelece várias medidas recheadas de malícia ideológica no mais elegante estilo soviético de distorção das palavras e da realidade, apresentando como “direitos humanos” as seguintes aberrações:

* A profissionalização da prostituição.

* O controle da imprensa e da internet.

* O banimento de símbolos cristãos nos estabelecimentos públicos.

* A promoção das religiões afro-brasileiras como “cultura” dos descendentes dos escravos trazidos da África.

* A descriminalização do aborto.

* A legitimação do “casamento” gay e de adoção de crianças por esses “casais”.

Nada disso se parece, nem de longe, com direitos humanos para uma mente minimamente normal. Mas quando os anormais estão no poder, o que se pode esperar?

É claro que, mesmo sem esse decreto, Lula e seu governo já estavam lutando para avançar cada uma dessas metas. O propósito do decreto é simplesmente passar por cima de toda a resistência do povo e fazê-lo engolir de uma vez tudo o que já foi decidido, selado e aprovado pelos “tribunais do povo”.

Li hoje que, na classificação da Missão Portas Abertas, o país que mais persegue e mata cristãos no mundo é a Coréia do Norte. Em segundo lugar está o Irã — o mesmo Irã cujo presidente odiador de Israel mantém amizade com Lula.

Lula se lembrou alguma vez de mencionar para Mahmoud Ahmadinejad que matar cristãos é violar direitos humanos? Lula se lembrou de fazer um justo decreto presidencial condenando Ahmadinejad e seu governo por crimes e abusos de legítimos direitos humanos contra os cristãos do Irã?

Essa é a essência da ética de Lula e seu governo, que usam e abusam do termo “direitos humanos” para defender e homenagear até terroristas comunistas, inclusive roubando dinheiro do povo brasileiro para escandalosas e injustíssimas indenizações. E o decreto presidencial dele ordena a transformação desses criminosos em heróis. E adivinhe quem vai ser rebaixado e humilhado para a categoria de criminoso e “violador de direitos humanos”? Não, não vai ser Ahmadinejad.

Para Ahmadinejad, Lula e seu desgoverno demonstram carinho, respeito, consideração, etc. Para os inimigos da arbitrariedade estatal travestida de “direitos humanos”, o peso da “justiça” dos tribunais “do povo” ou dos “direitos humanos” — tanto faz. Os iminentes tribunais anti-“homofobia” darão amplas demonstrações dessa arbitrariedade.

Lula já decidiu: os cadáveres mutilados e estuprados dos cristãos torturados e massacrados no Irã não têm valor nenhum para a sua ambiciosa agenda ideológica. Não haverá pois nenhum decreto presidencial em defesa dessas ou outras reais vítimas de violações de direitos humanos.

A esquerda malvada continuará aplaudindo e apoiando Lula com Ahmadinejad, Fidel Castro, Hugo Chavez e outros autênticos violadores de direitos humanos. E continuará aplaudindo seu decreto presidencial, que garantiu um Natal vermelho — uma vermelhidão tenebrosa que, se não houver resistência e luta, estenderá suas nefastas conseqüências por muito tempo. O feriado do Natal passou, mas ainda estamos engasgados e passando mal com o decreto do mais puro e imoral néctar soviético.

Como sempre, o povo espera, de mãos estendidas, presentes e favores do governo, com a ilusão de que o governo é a fonte de todas as soluções. Mas o governo brasileiro não é papai-noel. E mesmo que fosse, seria também ficção, não realidade. A única realidade inegável é que os imensos problemas éticos e morais que o Brasil está enfrentando têm como maior causa o próprio governo. O decreto de Lula é a prova mais viva do que um mau governo pode fazer contra seu próprio povo, em nome do próprio povo!

Contudo, há esperança: o povo que elegeu essa vermelhidão tem sempre o direito democrático de derrubá-la.

Fonte: http://www.juliosevero.com/

terça-feira, 6 de julho de 2010

A política como jogo de interesses pessoais e a postura cristã

por Cicero Ramos

Porque a política e os políticos gozam hoje de uma reputação tão baixa? Idealmente, o estrato político deveria ser de uma impoluta postura, posto que exercem funções públicas visando o bem-comum. Acontece, que muitos jogam no time de Nicolau Maquiavel, autor deO Príncipe onde dissemina a ideia de que “a política é um jogo sofisticado, delicado e complexo, que para ser entendido (por quem joga ou por quem observa) exige que prestemos atenção às qualidades e à sorte dos jogadores, à sua perspicácia e à sua força e, principalmente, aos recursos de poder que estão em jogo” (Tosi, Alberto, Política, artigo, in Portal da Filosofia).

Pois na grande maioria das vezes quando olhamos para a classe política, não só no Distrito Federal, mas também nos governos estaduais e municipais em nosso amado país, vemos que as coisas acontecem exatamente desta forma. O maquiavelismo de nossos políticos já se tornou proverbial. Prevalece o jogo de interesses, o ganho por fora, o “é dando que se recebe”. Logicamente não está incluída toda a classe de governantes e legisladores. Mas, a corruptocracia é tão deliberada que até os “bons” (?!) estão aderindo à síndrome de “Justo Veríssimo”, famoso personagem do comediante Chico Anysio, que encarna exatamente um político desonesto e que tinha “horror a pobre”.

Leviandades não faltam entre eles. O que importa não é tanto a lealdade a alguém ou a alguma plataforma política, mas o que realmente lhes interessa são os seus interesses escusos. Não primam pela ética em sua atividade parlamentar, mas, em realidade, posam de bonachões irrepreensíveis para suas bases políticas. Acerca da ética, Marilena Chauí em seu excelente livro Convite à Filosofia, nos ensina que, para os gregos, era inconcebível a ética fora da comunidade política – a polis (cidade) como koinonia ou comunidade dos iguais – , pois nela a natureza ou essência humana encontrava sua realização mais alta. Chauí nos ensina ainda que Platão identificara a justiça no indivíduo e a justiça na polis. Já Aristóteles subordina o bem do indivíduo ao Bem Supremo da polis. Esse vínculo interno entre ética e política significava que as qualidades das leis e do poder dependiam das qualidades morais dos cidadãos e vice-versa, das qualidades da Cidade dependiam as virtudes dos cidadãos. Somente na Cidade boa e justa os homens poderiam ser bons e justos; e somente homens bons e justos são capazes de instituir uma Cidade boa e justa (Convite à Filosofia, p.497).

E o cristão, de que maneira deverá lidar com esta área, alvo de tanta polêmica, mas que é necessária na sociedade humana? Precisamos aprender de uma vez por todas que fazer política não é pecado, pecado é a politicagem, entendida como prática política sem o entendimento ético. John Stott, notável erudito cristão, em seu livro O Cristão em uma Sociedade Não-Cristã, falando sobre a relação entre a Igreja e a política, cita o Pacto de Lausanne, onde se observa não só apenas a questão da responsabilidade social, como também o envolvimento sócio-político. Stott define o termo “política”: As palavras “política” e “político” tanto podem ter uma definição ampla quanto limitada. O conceito mais amplo de “política” denota a vida da cidade (polis) e as responsabilidades do cidadão (polites); ou seja, tem a ver com o todo da nossa vida na sociedade humana. Política é a arte de viver juntos em comunidade. De acordo com sua definição mais limitada, no entanto, política é a ciência de governar; é a preocupação com o desenvolvimento e a adoção de políticas específicas que serão consagradas pela legislação.”

Em seguida, Stott passa a considerar a relação entre o “social” e o “político”, usando agora esta palavra em seu sentido mais específico.Serviço Social: 1) Socorrer o ser humano em suas necessidades; 2) Atividades filantrópicas; 3) Procurar ministrar a indivíduos e famílias; 4) Obras de caridade. Ação Social: 1) Eliminar as causas das necessidades humanas; 2) Atividades políticas e econômicas; 3) Procurar transformar as estruturas da sociedade; 4) A busca da justiça. Portanto, devem os cristãos envolver-se na política, não somente no âmbito do serviço social, a fim de que a transformação de estruturas injustas na sociedade sejam buscadas. Fica a pergunta: Como isto sucederá se políticos (dizendo-se cristãos evangélicos) se deixam corromper, se buscam cargos visando sua locupletação?

Quero citar aqui dois grandes exemplos de cristãos evangélicos (obviamente, existem inúmeros outros) que não se deixaram corromper e serviram em cargos eletivos como autênticos servos de Jesus Cristo. O primeiro é o inglês William Wilberforce. Foi contemporâneo de John Wesley, era parlamentar, tendo junto com seus amigos, também crentes em Jesus e parlamentares como ele mesmo, grande atuação para que acabasse o tráfico de escravos africanos, reforma penal e parlamentar, educação popular, nas obrigações britânicas para com suas colônias (especialmente a Índia). Promoveram campanhas contra os duelos, muito comuns naquela época, os jogos de azar, a bebedeira, a imoralidade e os esportes em que se maltratavam os animais. Wilberforce e seus amigos eram movidos por sua inabalável fé evangélica. Outro grande cristão digno de nota é Abraham Kuyper, holandês, fundador da Universidade Livre de Amsterdan e que tornou-se primeiro-ministro. Kuyper foi notável em vários aspectos. Doutor em Teologia aos 26 anos de idade, um ano depois começa a exercer seu primeiro pastorado. Por mais de 45 anos foi editor de dois jornais evangélicos, sendo que um deles representava o contingente protestante da nação holandesa. Em 1874, foi eleito membro da Casa Baixa do Parlamento, função que exerceu até 1877. Em 1880, fundou a Universidade Livre de Amsterdam, a qual tomava a Bíblia como a base incondicional sobre a qual deveria ser erguida toda a estrutura do conhecimento humano em cada departamento da vida. Em 1901, a convite da Rainha Wilhelmina, é nomeado primeiro-ministro até o ano de 1905. Uniu em sua pessoa de forma extraordinária as funções de estudante, pastor, pregador, lingüista, teólogo, professor universitário, líder de partido, estadista, filósofo, escritor, cientista, publicista, crítico, filantropo.

Nunca deveremos portanto aceitar, ser condecendentes com pseudo-cristãos que exercem cargos públicos e envergonham ao Senhor da Glória ao utilizarem-se da política para seus próprios e escusos interesses pessoais. Entram neste jogo de corpo e alma. Não demonstram arrependimento. Não lhes arde a consciência. Na verdade, o que falta para muitos, além de conhecerem a Palavra de Deus e o Deus da Palavra, é uma educação política, para compreenderem como deveriam lidar com esta dimensão em suas vidas. É inegável que muitos tem um chamado, uma vocação para a vida pública. Creio que Deus vocaciona ainda hoje, como foi com José do Egito e Daniel na corte babilônica. Mas é necessária uma educação elementar política, principalmente e acima de tudo com ênfase no temor a Deus e na ética.

Por uma política exercida com ética, por uma política sem a porca politicagem. Por cristãos conscientes, sabedores que podem e devem exercer a política com sabedoria e ética. Que podem e devem exercer cargos públicos procurando a excelência em tudo o que fizerem. Wilberforce e Kuyper com suas vidas de santidade ao Senhor e serviço aos seus semelhantes, provaram isto sobejamente.

Porque isto não deveria ser uma realidade hoje?

Pense nisto.

Fonte: http://observateologia.blogspot.com/2010/06/politica-como-jogo-de-interesses.html

sábado, 3 de julho de 2010

A VISÃO CRISTÃ DO ESTADO por Guilherme de Carvalho

“Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, porque são muitos, e em cavaleiros, porque são mui fortes, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao SENHOR!

Pois os egípcios são homens e não deuses; os seus cavalos, carne e não espírito. Quando o SENHOR estender a mão, cairão por terra tanto o auxiliador como o ajudado, e ambos juntamente serão consumidos.”


Isaías 31.1,3


Há uma perspectiva cristã do Estado? Há quem pense que o cristianismo não tem nada que ver com Estado - nem com política; que a religião não tem nada a ver com política. Não no sentido de que a religião não se mescle com a política, pois isso sim, acontece sempre, mas no sentido de que a religião não deveria se misturar com a política nem se intrometer em coisas de Estado. Alguns mais radicais sustentam, inclusive, que a verdadeira política é incompatível com a religião.


Há, por outro lado, quem defenda uma espécie de cessar fogo: cuius regio, eius religio - ou, guardadas as proporções, “cada um no seu quadrado”. Na igreja Deus é Jesus; na câmara, é o Estado.


Finalmente, há quem realmente tome essa solução pragmática como princípio ideológico – que Jesus nos leva para o céu, e o Estado cuida de nós aqui na terra. Portanto o bom cristão deveria ver em um projeto de Estado secular a cura para as mazelas da sociedade.


Mas será isso possível? Que intenções têm o Estado moderno ao propor (ou impor) essa solução à religião? É possível identificar a política cristã com uma aceitação tranquila dessa ordem de coisas.


A Política Secular: Religião em Cárcere Privado


Tomemos como referência aqui, um filósofo contemporâneo; um francês, (previsivelmente): Christian Delacampagne. Não porque ele seja muito importante no campo (não é), mas porque representa bem o tipo de mentalidade que pretendemos pôr em questão. Podemos nos sentir gratos pela sua formulação sucinta e clara do problema: “como o religioso, na sua ambição de constituir o ‘laço’ social por excelência (esse é o sentido do latim religio), pode coexistir com o político, cuja ambição é análoga?”


Delacampagne tenta lidar seriamente com o problema, perguntando se o poder político “deve”, e se “pode” se separar do poder religioso. A sua resposta à primeira questão é que ele deve se livrar da tutela religiosa, por uma questão de sobrevivência. Porque, segundo ele, a democracia depende, para funcionar, de uma abordagem pragmática das questões; um partido, por exemplo, deve representar os interesses de certo grupo, não uma verdade absoluta, que deva ser imposta a todos. A política seria um jogo, cujas regras excluem a universalidade, mas a religião, por sua natureza, não pode respeitar essas regras. Ela atua a partir de absolutos, não de considerações meramente pragmáticas. Com efeito,


“Na medida em que considera o pluralismo desejável, como deve fazer se quiser ser democrático, o poder político deve opor-se à simples idéia de ‘partido religioso’, isto é – pois todas as religiões tendem a formar partidos desse gênero – opor-se à religião em geral.”


Mas pode, a política, separar-se da religião? Sim, desde que ela delimite com clareza as duas esferas. Para o filósofo, temos uma esfera “privada” e uma esfera “pública”, que ele define como “sociedade civil” ou Estado. O caminho, seguido pelo ocidente, foi o de “dar a extensão mais vasta possível à esfera ‘pública’ (incluindo progressivamente nela a maioria das atividades sociais, de maneira a subtraí-las à influência da religião).” O homem seria perfeitamente capaz de atingir a “virtude cívica” necessária para manter todo o espaço público funcionando bem, sem o auxílio da religião, que seria mantida na esfera da consciência individual.


E desde que a religião traz, dentro de si, a tendência de lutar para recuperar a sua “essência”, ou “fundamento”, é imperativo que ela seja mantida em seu devido lugar; do contrário, o fenômeno universal e periódico do fundamentalismo ameaçará a própria base do Estado Moderno, que seria, para Delacampagne, nada menos que “uma verdadeira separação entre o político e o religioso”. Contra essas ameaças, ele enuncia seu “princípio regulador”:


“[...] que a tolerância mais ampla possível seja dada a todas as confissões – desde que nenhuma delas seja autorizada a intrometer-se no funcionamento das atividades sociais.

Em resumo, desde que o Estado continue sendo a única instância capaz de determinar aquilo que, no interior do espaço público, é ou não legítimo.”


O programa deste filósofo francês é claro como o meio-dia: a repressão da expressão pública da religião, e a garantia de sua manutenção na esfera privada, ou no cárcere privado, para sermos claros também. Mantendo esse “monstro” no cárcere, veremos a liberdade e a política florescerem na esfera pública...


Contra a Idolatria Política


Somente a admissão tácita de certa concepção totalista de Estado pode fazer alguém ler as palavras de Delacampagne sem perceber que há algo muito problemático em seu argumento. O filósofo supõe, em toda a discussão, uma identidade entre “esfera pública” e “Estado”, “sociedade civil” e “Estado”, o que é patentemente falso. O público, e o civil, não é o mesmo que “o político”. Há uma diversidade de esferas além da esfera “privada” e da esfera “política”: há a moralidade, a arte, a economia, a ciência e as relações de sangue. Essas esferas compõem o todo da vida social, mas são anteriores ao Estado, e não devem sua lógica interna ao Estado. A política e o Estado têm responsabilidade por apenas uma dimensão da vida pública, que é a da justiça. A dimensão da arte, por exemplo, é responsabilidade dos artistas e apreciadores da arte, e não do Estado.


Mas, como Delacampagne observou, o Estado Moderno se constituiu por meio de uma expansão na qual reprimiu a influência religiosa “da maioria das atividades sociais”, por meio do controle de cada uma delas, para garantir a sua “laicidade” e eliminar nelas os absolutos religiosos.


É claro que tudo isso já estava embutido na primeira pergunta do autor: quem produz o laço social, por excelência? Pode a religião e a política conviverem, se tem a mesma ambição? Uma pergunta deliciosamente reveladora, ao pôr diante de nós a fantástica pretensão do Estado Moderno de se constituir no laço social por excelência, tragando as formas mais antigas de associação humana em seu divino estômago.


Então há, acima de qualquer dúvida, um conflito entre a política e a religião! Há, na medida em que a política deseja ser, ela mesma, a religião. O Estado Rousseauniano de Delacampagne, totalista e vigilante, cioso de sua secularidade, absoluta e indivisivelmente soberano, não passa de uma divindade concorrente com o Teísmo. A política laica de Delacampagne é mais uma das expressões da religião do humanismo secular, que pretende controlar cientificamente o homem, para garantir a sua liberdade – mesmo que, para tanto, tenha que torná-lo seu escravo.


A responsabilidade atribuída por Delacampagne ao Estado, de determinar sozinho o que é legítimo no espaço público, é absolutamente ridícula. Deverá o Estado decidir qual o método científico legítimo? E o que é arte? E qual a melhor ética sexual? Ou o que é e o que não é prejudicial à família? Ou se, afinal, precisamos de famílias? Pode-se, naturalmente, objetar que o termo “público”, aqui, tem sentido restrito. Talvez, na mente do autor; mas não em seu argumento. De todo modo, o ponto é que o Estado, e a política, tem uma esfera própria, que é a esfera da justiça. Compete ao Estado a justiça pública, e o que for estritamente necessário à realização dessa justiça; e cabe à política a luta por sua representação e implementação adequada.


Essa forma de pensamento estatista me faz lembrar da saga fantástica O Senhor dos Anéis, de Tolkien. A maldição da Terra Média estava na existência do um anel, que concentrava todo o poder. Os teóricos do Estado absoluto parecem não perceber – e isso fica maravilhosamente claro nas especulações de Delacampagne – que a religião, ironicamente, é uma indispensável salvaguarda à liberdade dos indivíduos e das diferentes esferas da sociedade, na medida em que fere Leviatã no próprio coração, desmascarando as pretensões teológicas do Estado de instaurar-se como Deus e Senhor da sociedade.


Uma política cristã existe, assim, tendo obrigações para com Deus e para com o homem. Para com Deus, é seu dever combater a idolatria política. Li, em certa ocasião, a declaração de um grupo de cristãos (do “MEP” – Movimento Evangélico Progressista), para os quais “a visão cristã do Estado é de que o Estado não deve ser cristão”. Um princípio importante, embora excessivamente concordista com a modernidade. Adverte muito bem contra a forma errada de interagir com o Estado, mas nada diz sobre a forma justa. Tornou-se assim politicamente corretíssimo. Rousseau, Delacampagne, Dawkins e a ala anti-religiosa do PT diriam amém (talvez até um “glória a Deus”).


Parodiando essa declaração, no entanto, eu diria que a visão cristã do Estado é, antes de tudo, que o Estado não deve ser Deus. A tarefa teológica da política cristã é a luta contra a idolatria política; é a luta pela reforma do Estado, para que ele se veja redimido de sua fome totalista, e se dedique à sua tarefa divinamente ordenada, é respeitando a soberania das outras esferas da sociedade.


Sem dúvida, isso não diz tudo sobre a visão cristã do Estado. A igreja tem uma tarefa teológica, de combater a idolatria política, mas também uma tarefa antropológica, de promover a justiça política; isso significa que uma política cristã precisa, sem dúvida nenhuma, educar o Estado para a justiça. Mas ela não poderá realizar essa tarefa se colocar os carros na frente dos bois: cumprir a segunda tábua da Lei, deixando de lado a primeira. Não: combata-se a idolatria, e então seguir-se-á a justiça.


O Brasil: Um País Politicamente Idólatra


No universo verde-e-amarelo florescem as condições adequadas a um Estado tirânico. Em 2002 ou 2003, eu tive a oportunidade de assistir a uma entrevista sobre a atitude política brasileira, veiculada pela Globo, do famoso antropólogo brasileiro Roberto da Matta, que à época já estava trabalhando como professor na universidade de Notre Dame, em Indiana. Da Matta, talvez sob o impacto da mudança cultural, fez uma breve comparação entre os norte-americanos e os brasileiros. Segundo ele, há uma nítida diferença de postura entre os dois povos; os americanos não constroem suas esperanças sobre o Estado; a sociedade civil é fortíssima, no sentido de que as pessoas se organizam de modo voluntário e quase automático para resolver seus problemas. O brasileiro, em contrapartida, raciocina em termos paternalistas, esperando que um “poder superior” solucione suas dificuldades sem que ele precise agir diretamente. Como exemplo, ele apontou a temática de certa escola de samba (já não me lembro qual), no carnaval daquele ano. O desfile inteiro apresentou as mazelas sociais do Brasil, denunciando a pobreza, a corrupção, etc; ao final, o último carro alegórico trazia uma imagem enorme de Lula, de braços abertos, representando a esperança para o futuro.


E, enquanto aguarda com expectativa a vinda do seu “Cristo Redentor” político, o brasileiro cruza os seus próprios braços. Quando alguém toma uma atitude e organiza algum projeto social, as pessoas dizem – pessoas do governo, empresários e cidadãos comuns – que a sociedade civil está entrando onde o Estado não está cumprindo o seu papel – ora, ninguém duvida de que o Estado Brasileiro não cumpre o seu papel, mas a tarefa de construir uma sociedade justa é da própria sociedade, não do Estado. O Estado é uma ferramenta do povo, não seu Pai.


Eu diria, bem ao contrário, que precisamos agir rápido, tomar a frente e desenvolver projetos de transformação em todas as áreas da vida brasileira, antes que o Estado tome o controle delas! Os cristãos precisam fazer isso, não só porque a soberania de Deus precisa encontrar expressão em cada esfera da vida brasileira, mas também por que somente assim a nossa obrigação política para com Deus será cumprida: a obrigação de desmascarar a idolatria política e combater as pretensões teológicas do Estado.


Cristãos Entreguistas


Noutro dia desses a Norma Braga escreveu um provocativo texto para a Ultimato, intitulado “Porque não sou de Esquerda”. Gerou muitas respostas indignadas. Bem, eu discordo de muita coisa que a Norma costuma dizer em suas defesas do conservadorismo. As razões são compreensíveis para quem já leu algo do que publicamos sobre Cristianismo e Sociedade aqui na Ultimato.

Mas há um ponto em que a Norma está certíssima, e sei que vou exasperar meus amigos socialistas, do tipo que se sente atraído de um jeito ou de outro por ideais Rousseaunianos: sim, o Estado não é o Messias. Não, não podemos alugar os Egípcios para nos livrar dos Assírios. Chamar o Estado para nos salvar do Mercado é idolatria. Pura e simples idolatria.


É claro que o Estado deve zelar pela justiça pública. É claro que deve intervir quando o sistema econômico se torna injusto. Mas o Estado não deve deter em suas mãos o projeto nacional. Porque o Estado não é o País; o Estado não é a sociedade; sua Soberania é limitada e não vem do povo, mas de Deus. E o mais essencial na visão cristã do Estado é exatamente que o Estado não é Deus, nem deve cobiçar o Seu trono.


Vamos esperar em Jesus Cristo. E que ele nos salve dos Assírios, dos Egípcios e dos israelitas que confiam na cavalaria de Faraó.

Delacampagne, Christian, A Filosofia Política Hoje. Rio de Janeiro: Zahar, 2001, p. 31.
Ibid, p. 34.
Ibid, p. 35.
Ibid, p. 39.
Ibid, p. 41.

Fonte: GUILHERME DE CARVALHO

quarta-feira, 23 de junho de 2010

PRINCÍPIOS CALVINISTAS PARA ESCOLHER OS PRÓXIMOS POLÍTICOS - Parte I

Estamos coletendo em nossos blogs um conjunto de textos bíblicos, teológicos e reflexões diversas que sirvam de princípios e orientações para escolhermos os próximos e futuros representantes para o legislativo e executivo (que serve também para o JUDICIÁRIO tão carente de moralidade) a partir de uma - DIVERSIDADE SADIA - perspectiva bíblica, cristã, reformada, calvinista, puritana, reformacional, teonomista e presbiteriana, superando os pressupostos filosóficos e religiosos naturalistas, secularistas, evolucionistas e niilistas, caracterizado pelos seus reducionismos na teoria política progressista, esquerdista, socialista, petista, clientilista, fisiologista, comunista ou liberal-direitista. A sua participação e contribuição é muito importante!

Prof. Luis Cavalcante - http://luis-cavalcante.blogspot.com/


E QUE GOVERNE BEM A PRÓPRIA CASA por Rubem Amorese*


Quero propor que, nas eleições deste ano, você vote em um economista. Não estranhe, não é qualquer economista. Para merecer seu voto, ele precisará ser competente, no sentido proposto pelo apóstolo Paulo, ao falar em eleições para presbíteros e diáconos (1Tm 3.4, 12).

Deixe-me explicar: a palavra “economia” é formada do grego “oikos” (casa) + “nomos” (ordem, governo). Economia, então, “oiko+nomia”, era a boa administração da casa, do lar. É por isso que Paulo nos recomenda que examinemos a vida familiar daquele que aspira ao episcopado, “pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?” (v. 5). O bispo, no caso, tinha funções de administrador, além de liderança espiritual.

Essa proposta pode suscitar um questionamento razoável, no sentido de que não devemos transpor nossos padrões ao mundo, nem lhe impingir nossa fé. Afinal, pretendemo-nos uma república laica. Concordo. Mas, não é isso que estou propondo. Estou apenas sugerindo aos meus irmãos cristãos um critério de escolha. Um critério bíblico para as eleições realizadas na igreja. Proponho um modo eclesiástico de olhar para um candidato secular. Pode ser? Claro que pode! Se o candidato for um reconhecido alcoólatra, podemos negar-lhe nosso voto. Não estaremos usando a recomendação “não dado a muito vinho”, encontrada no mesmo texto? E se for um “ficha suja”, não usaremos o critério “e que tenha bom testemunho dos de fora” para desclassificá-lo?

Você já reparou como, em muitos lugares do mundo, os políticos fazem questão de aparecer em público acompanhados do cônjuge e dos filhos? Claro que não estão pensando na Bíblia. Estão pensando em “marketing” político. E, mesmo que vivam às turras com o cônjuge ou que estejam se divorciando, em época de eleição isso precisa ser escondido, a qualquer preço. São proverbiais os casos de políticos que pagam uma fortuna para ter o cônjuge, sorridente, no seu palanque. Ora, se esse fenômeno, mesmo visto como hipocrisia burguesa, ainda vigora em muitas sociedades modernas, até nas mais secularizadas, por que não usar tal critério, agora, em tempos de lusco-fusco moral e político?

Alguém dirá que uma família de bandidos pode ser muito bem “administrada” pelo facínora maior. É verdade. Há famílias dedicadas ao crime com invejável “economia”. Porém, não somos eleitores tão ingênuos e alienados assim. Se procurarmos saber da vida privada daquele candidato que mora em nossa cidade, cujo filho vai à mesma escola que o nosso e cuja esposa compra no mesmo supermercado, então muita coisa poderá ser levantada sobre a competência “econômica” daquele candidato. Talvez essa seja uma das vantagens do voto distrital -- os candidatos estão mais perto dos eleitores.

Concentre-se nas relações familiares. Descubra como ele ou ela vive em família. Se possível, monte uma rede de informações, com seus irmãos e amigos. Dê preferência àquele candidato que tem a casa em ordem, independente de ele ser um iniciante, com pouco “ibope”. E atenção: não relaxe com religiosos. Todos devem ser submetidos ao mesmo critério. Se fazemos assim com irmãos da nossa igreja, por que não o faremos quando esses mesmos irmãos se lançarem na área pública?

Eu sei, é muito pouco. E as propostas dele? E o seu passado político? E as alianças que já fez ou que terá de fazer? Claro, tudo isso é importante. E vale a pena ser considerado. E faz parte da cidadania podermos avaliar tudo isso secretamente. Mas, se tudo isso estiver muito confuso para você, e todos, na televisão, parecerem cópias uns dos outros, então aplique ao caso o conselho de Paulo.

E, se você descobrir que aquela pessoa super cotada pela mídia é um desastre em “oikonomia”, não tenha dúvida, escolha outra. Pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da coisa pública? Pelo menos, você não estará errando no básico.

Rubem Amorese é consultor legislativo no Senado Federal e presbítero na Igreja Presbiteriana do Brasil em Planalto - Brasília. É autor de, entre outros, Louvor, Adoração e Liturgia e Fábrica de Missionários -- nem leigos, nem santos. E-mail: ruben@amorese.com.br
Publicado na Revista Ultimato n° 324.

sábado, 8 de maio de 2010

MÁRIO OLIVEIRA - ELE É A FAVOR DA PENA DE MORTE E DA PRISÃO PERPÉTUA, PROMETE REVER A BOLSA FAMÍLIA, É CONTRA A UNIVERSIDADE PÚBLICA GRATUITA E QUER O SEU VOTO PARA SER O PRÓXIMO PRESIDENTE DO BRASIL


Para pensar no assunto (adaptado) original: http://www.istoe.com.br/reportagens/51785_DIREITA+VOLVER

Ele é a favor da pena de morte e da prisão perpétua, promete rever o Bolsa Família, é contra a universidade pública gratuita e quer o seu voto para ser o próximo presidente do Brasil


Alan Rodrigues

LEGALISTA

Mário Oliveira diz querer governar sob o “império da lei”
A poucas semanas do aniversário de 25 anos do fim da ditadura militar que governou o Brasil por duas décadas, o ex-soldado e hoje advogado Mário de Oliveira Filho prepara-se para lançar o programa de governo de sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Partido Trabalhista do Brasil, o PTdoB. O documento de 89 páginas é uma compilação de propostas e conceitos ideológicos polêmicos que, antes mesmo de ser divulgado oficialmente, tem aglutinado em torno do pré-candidato simpatizantes do golpe de 1º de abril de 1964, militares da ativa e da reserva, policiais que tiveram participação direta nos órgãos de repressão e empresários que admiram a história e a capacidade intelectual de Oliveira, um filho de ferroviário que atingiu o auge de sua carreira como executivo da área internacional da Construtora Norberto Odebrecht. Oliveira tem cativado a atenção desse grupo heterogêneo por defender posições marcadamente conservadoras. Entre suas principais propostas está a implantação imediata da pena de morte, da prisão perpétua, o fim do ensino público gratuito, a extinção das cotas para negros e índios nas universidades federais e a manutenção da jornada de trabalho de 44 horas. “Vivemos uma situação de guerra. Essa alternativa é para acabar já com a violência que tomou conta do País”, diz Oliveira. “Governarei sob o império da lei.”
O pré-candidato do PTdoB também é contra o principal programa de distribuição de renda do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Bolsa Família. Para ele, é um erro grave do governo conceder benefícios financeiros a pessoas que não trabalham. “Vou colocar esse pessoal para trabalhar em frentes de reflorestamento que pretendo abrir no Nordeste.” Em seu governo a reforma agrária seria extinta e o MST seria tratado como uma quadrilha. “Não há necessidade de reforma agrária no Brasil e o MST é composto por bandidos”, afirma ele, pausadamente, em um tom de voz sereno. As propostas de Oliveira têm encontrado eco junto a uma parcela da população brasileira que não se vê mais representada pela crescente polarização partidária do cenário político brasileiro. Apesar das diferenças programáticas e, em alguns casos, ideológicas, tanto o PT quanto o PSDB têm seus quadros formados por políticos que combateram, em maior ou menor grau, a ditadura militar. “Existe um grande eleitorado à procura de um novo Estado”, diz a cientista política da USP Maria Socorro Souza Braga. Para ela, tanto o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quanto o do presidente Lula deixaram os setores médios da sociedade desprotegidos do “cobertor” que o Estado estendeu sobre os mais pobres. Os apoios a Oliveira têm se concentrado na internet. Seja por redes de e-mail, seja por sites ou blogs, seu nome tem sido apresentado a comunidades virtuais compostas por militares, policiais e apoiadores de toda a sorte.
Em um e-mail público, o delegado aposentado Carlos Alberto Augusto, popularmente conhecido na época da ditadura militar como “Carteira Preta” pede apoio à candidatura de Oliveira. “Ele é nacionalista de verdade, temos que mudar nosso País, tirando-o das mãos do crime organizado que está no poder”, afirma Carteira Preta, ligado diretamente ao delegado Sérgio Paranhos Fleury quando este chefiava o Deops de São Paulo na década de 70. Dentro e fora dos quartéis, Oliveira também é bem-visto. “Suas propostas de mudanças são bem centradas e podem acabar com os costumes negativos da política brasileira”, diz o general de Brigada Paulo Chagas, ex-sub-chefe do Estado Maior do Exército de Brasília entre 2004 e 2006. O site Ternuma (Terrorismo Nunca Mais), conhecido por abrigar defensores da ditadura militar, também recomenda que seus visitantes procurem conhecer melhor as propostas de Oliveira. Nessa campanha virtual, a candidatura de Oliveira já vai ganhando espaço. Referência dos “porões”, o blog Alerta Total fez uma enquete entre seus visitantes e ele ficou em segundo lugar, com 15% das intenções de voto, perdendo apenas para o candidato tucano José Serra, que foi o escolhido de 50% dos votantes. “Vamos crescer, ainda somos pouco conhecidos”, diz o presidente do PTdoB, Luiz Tibet. De fato, o partido conta com uma estrutura capenga. Com pouco mais de 125 mil filiados – o PT, por exemplo, tem mais de um milhão –, os trabalhistas têm apenas um deputado federal, 14 estaduais, oito prefeitos, 300 vereadores e nenhum senador ou governador. Pior: a legenda, que deverá seguir sozinha na corrida eleitoral, só conta com dois minutos diários de espaço na tevê e arrecada anualmente pouco mais de R$ 1 milhão.
Dinheiro, no entanto, não parece ser exatamente um problema para Oliveira, que não esconde sua boa posição financeira. Ele acredita que conquistará mais de dois milhões de seguidores e, com a ajuda deles, pretende arrecadar R$ 40 milhões. “É o valor que precisamos para vencer as eleições”, diz ele, um assíduo frequentador de bons –e caros – restaurantes, apreciador de um bom vinho e amante de ópera. Apesar da fleuma, seu berço é proletário. Seu pai foi operário da Rede Ferroviária Federal – e um ex-militante do Partido Comunista Brasileiro – e a mãe, dona de casa. Sua história de estudante é igual à de milhares de brasileiros que venceram as adversidades. Estudou em escola pública até chegar à universidade. Ex-funcionário concursado da Petrobras, Mário Oliveira é mato-grossense da cidade de Aquidauana. Sétimo filho de uma prole de nove, esteve na Rússia, viveu na Suíça e, de volta ao Brasil, se lançou na política em 2006 filiando-se ao Partido Verde, legenda que abandonou no último ano. “O PV é um partido contraditório e midiático. Ele tem todo cuidado do mundo com o macaco-prego e não ataca a questão das favelas, que é um problema de saúde pública.” Agora ele acha que fez a escolha certa indo para o PTdoB e é a partir dele que quer colocar em prática seu projeto político de se tornar presidente do Brasil. 

Para pensar no assunto (adaptado) original: http://www.istoe.com.br/reportagens/51785_DIREITA+VOLVER

segunda-feira, 19 de abril de 2010

CURSO INTENSIVO DE ANTI-ESQUERDISMO

O artigo "Porque Não Sou de Esquerda", da Norma Braga, publicado recentemente na revista Ultimato é mais um daqueles artigos bons que doem no ouvido de algumas pessoas - e o resultado foi muita polêmica nas cartas à revista e na blogosfera que costumo acessar. A Norma, que já é minha amiga há um certo tempo, tem sido muito inteligente ao responder todos os ataques e se mostra cada dia mais corajosa - seu último post foi intitulado "Cristãos conservadores do Brasil, uni-vos!".

Resolvi responder a este chamado e fazer o que posso por aqui. É claro que seria um tanto difícil um estudante de engenharia dedicando muito tempo e esforço para defender posições políticas e contribuir com algo; mas basta parar e pensar que eu mesmo tenho grande chance de ter comunistas e/ou ambientalistas imbecis "pegando no meu pé" assim que começar a trabalhar. E eis a minha proposta: se você cristão, já foi um daqueles alunos influenciados por professores de ensino médio e cursinho, e nunca teve acesso ao lado podre da esquerda e aos elogios da direita, apresento aqui uma lista de links e textos recomendados para todos os que têm dúvida quanto ao que realmente seria uma posição política cristã e bíblica.


Antes, porém, devo esclarecer que todas as referências postadas aqui são apenas as que eu conheço, e fazem parte da minha trajetória de leituras que me convencem da minha posição atual. Não só sugiro, mas também peço que os pouquíssimos leitores e cristãos conservadores que visitam meu blog postem alguma outra referência que ajudem neste meu compêndio de anti-esquerdismo!


Em primeiro lugar, não passo um link - recomendo um capítulo inteiro do livro "Calvinismo", de Abraham Kuyper, sobre Calvinismo e Política - que para mim, é o ponto de partida teórico para toda a visão cristã de política (em inglês, Lectures on Calvinism). Mas antes, vale lembrar os arminianos ou indecisos que o foco principal do capítulo não é relacionar a doutrina da predestinação com posições políticas (embora isto seja inevitável às vezes). Calvinismo, no sentido adotado pelo livro, não é referenciado somente como a teologia elaborada por Calvino, mas sim, todo o pensamento protestante da época da Reforma (considerado por nós como bíblico).

"Num sentido calvinista nós entendemos que a família, os negócios, a ciência, a arte e assim por diante, todas são esferas sociais que não devem sua existência ao Estado, e que não derivam a lei de sua vida da superioridade do Estado, mas obedecem uma alta autoridade dentro de seu próprio seio; uma autoridade que governa pela graça de Deus, do mesmo modo como faz a soberania do Estado. Isto envolve a antítese entre o Estado e a Sociedade, mas com a condição de não concebermos esta sociedade como um conglomerado, porém, como analisada em suas partes orgânicas, para honrar, em cada uma destas partes, o caráter independente que pertence a elas". (Abraham Kyper, Calvinismo e Política)


Sim, eu sei que muitos não têm acesso a este livro. Por isto recomendo este comentário sobre o mesmo no site Monergismo - http://www.monergismo.com/textos/politica/politica-crista-kuyper_hexham.pdf


O próprio artigo "Por que não sou de esquerda" publicado pela Norma na Revista Ultimato também é bastante esclarecedor e uma ótima introdução: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&secMestre=2603&sec=2616&num_edicao=323.



No seu blog, os seus esclarecimentos do artigo nos posts subseqüentes também são interessantes e até engraçados. Vale a pena ler. Se ela me permite, vou transcrever um trecho que é o que todos precisamos aceitar:


No Brasil, as pessoas acham bonito o socialismo, aprovam ou não se incomodam com a ditadura cubana, odeiam os Estados Unidos, andam com camisetas do Che Guevara, veem no governo a solução de todos os problemas, xingam o “neoliberalismo”, abominam o capitalismo como o próprio Mal e não se dizem de esquerda".


Lendo isto, você se pergunta: quais são os problemas do socialismo? Porque tanta resistência contra este sistema que parece buscar tanto o "bem" da sociedade? Em primeiro lugar (e como todo primeiro lugar em um argumento protestante reformado) - ele não é bíblico! O artigo do Helder Nozima, no blog 5 Calvinistas deixa isto muito claro: http://5calvinistas.blogspot.com/2010/04/por-que-tambem-nao-sou-de-esquerda.html


Mas o fato é que o socialismo, e mais especificamente o marxismo em sua forma mais pura, não só deixa de ser bíblico, mas parte de pressupostos totalmente ateus e materialistas. Provas não faltam nos próprios textos de Marx, e vários artigos publicados por Lênin e outros teóricos socialistas. Basta pesquisar!


"O marxismo é materialismo. Como tal, ele é tão implacavelmente hostil à religião como o materialismo dos enciclopedistas do século 18 ou o materialismo de Feuerbach. Isto é indubitável. Mas o materialismo dialético de Marx e Engels vai mais longe que os enciclopedistas e Feuerbach, aplicando a filosofia materialista ao domínio da história, ao domínio das ciências sociais. Devemos lutar contra a religião. Isto é o á-bê-cê de todo o materialismo e, por conseguinte, também do marxismo. Mas o marxismo não é um materialismo que se deteve no a-bê-cê. O marxismo vai mais longe. Ele diz: é preciso saber lutar contra a religião, e para isso é preciso explicar de modo materialista a fonte da fé e da religião entre as massas". (Lênin, em um artigo publicado em 1909).


O mais interessante é que Lênin, neste mesmo artigo, diz que os socialistas não deveriam lutar diretamente contra a religião, mas se utilizar de táticas persuasivas (algo que ele chama de materialismo dialético), fazendo com que as pessoas pouco a pouco assimilem os conceitos materialistas de governo e cooperem para a propaganda anti-religiosa sem ter consciência disto.


Mas e daí, se este artigo foi publicado em 1909? Será que hoje o socialismo mudou e conseguiu deixar de lado sua anti-religiosidade? Eu acho que não, e provavelmente você poderá achar depois que ler estes textos sobre as teorias de controle psicológico desenvolvidas pelos socialistas . Isto inclui a Perestroika, que nos ensinam apenas como uma renúncia do socialismo, mas é totalmente o oposto - é uma troca de tática de guerra:

Educação X Marxismo, por Pedro Paulo Rocha:
http://www.olavodecarvalho.org/convidados/ppaulo2.htm

A Face Oculta do Mundialismo Verde, por Pascal Bernardin: http://www.olavodecarvalho.org/convidados/bernardin2.htm

Uma observação: o jornalista e filósofo Olavo de Carvalho, embora seja alguém que nem sempre eu acho possível concordar, afirma em seu livro "A Nova Era e a Revolução Cultural" (texto na íntegra aqui) que parte deste socialismo psicológico pode ser atribuída ao teórico esquerdista Antonio Gramsci.


Todos conhecem os clichês anti-capitalistas que os professores e o nosso querido governo sempre dizem. A Norma também fala muito bem sobre a teoria girardiana do bode expiatório em alguns posts. Um deles está aqui: http://normabraga.blogspot.com/2008/07/o-bode-marxista-e-o-bode-nazista.html. E vale acrescentar: acredito que para entender de onde surgem todas estas falácias, devemos entender todo o erro do pensamento do século XX. Recomendo livros como "A Morte da Razão", de Francis Schaeffer, "Ortodoxia", do católico G. K. Chesterton e "A Abolição do Homem", de C. S. Lewis. São excelentes livros, não só para este tema mas também para muitos outros, mas como sei que poucos tem tempo para isto, que pelo menos leiam o texto de C. S. Lewis sobre Bulverismo: uma atitude que faz parte de quase todos os argumentos socialistas por aí (Hugo Chávez para mim é o bulverista no. 1 do mundo) - http://otdx.blogspot.com/2008/01/bulverismo-ou-os-fundamentos-do.html
Para destruir de vez o socialismo, ainda vão aqui alguns textos:

- O que é uma Revolução, por Mendo Castro Rodrigues: http://www.olavodecarvalho.org/convidados/mendo5.htm  

- Perestroika, Ambientalismo e Comunismo:
http://www.olavodecarvalho.org/convidados/empeco.htm

- Artigo de um seminarista católico falando sobre o comunismo: http://www.materecclesiaedobrasil.com/2010/03/acao-revolucionaria-e-igreja.html

E ainda, sobre o nosso governo brasileiro, existe uma entrevista bastante pessimista com Olavo de Carvalho, falando sobre o domínio socialista no nosso país - http://www.olavodecarvalho.org/textos/petismo.htm
Mas por fim, se o socialismo é mais uma das roupas bonitas do diabo, por que defender o capitalismo?
O que há de bom nele?
O que é capitalismo de verdade (digo isto pois capitalismo no Brasil é sinônimo de ganância)?
De fato o capítulo de Calvinismo e Política de Abraham Kuyper já ajuda a deixar isto muito claro.
Mas, do que eu conheço, José Nivaldo Cordeiro faz bons comentários sobre o livro de Milton Friedman chamado "Capitalismo e Liberdade":

http://www.olavodecarvalho.org/convidados/0200.htm

http://www.olavodecarvalho.org/convidados/0203.htm

http://www.olavodecarvalho.org/convidados/0208.htm 

A Norma também faz comentários interessantes em algum post ou outro, como por exemplo este aqui. Tudo pode se resumir em algo como - o capitalismo é o único que preserva a liberdade individual.

Termino o post fazendo o convite mais uma vez - cristãos conservadores do Brasil, que tal juntarmos todos os bons textos sobre política e montarmos uma "apostilinha" básica para nós?
 
Fonte: http://fernandopasq.blogspot.com/2010/04/curso-intensivo-de-anti-esquerdismo.html

terça-feira, 30 de março de 2010

POR QUE NÃO SOU DE ESQUERDA por Norma Braga

Artigo publicado na Revista Ultimato, março de 2010

Diante do problema do mal, experimentamos a urgência de uma solução. Para quem crê, Jesus satisfez essa urgência: inocente, sacrificou-se por nós. Assim, o cristão fiel declara com tranquilidade que o mal está em si, confiando em Cristo para a redenção. Porém, para quem não crê, o problema do mal resta irresolvido e a solução será sempre externa. Este é o “mecanismo do bode expiatório”, segundo René Girard: fazer com que alguém encarne o mal e eliminá-lo, gerando sacrifícios sem fim (enquanto a Bíblia enfatiza: o sacrifício de Jesus é eterno).

Isso se verifica facilmente entre nós, ocidentais, quando lembramos os assassinatos em massa do século XX. Judeus, ciganos, cristãos dissidentes e povos não-alemães foram os bodes expiatórios da Alemanha hitlerista: quarenta milhões de mortos. Da mesma forma, nos países comunistas o vago conceito de “classe dominante” tem justificado a condenação à morte de mais de cem milhões. Trata-se um ciclo diabólico, pois não há sacrifícios que cheguem para a sanha dos que pensam combater o mal dessa maneira. Assim, a violência aumenta na mesma proporção do secularismo.


A equiparação entre comunismo e nazismo não é novidade. No entanto, de certo modo o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães era melhor nisso: mentia menos. Seus membros não escondiam o desejo de conquistar o mundo; já o socialismo oculta seu projeto de poder total sob a compaixão pelos pobres e a promessa de um futuro glorioso. O autointitulado “protetor dos oprimidos”, ao tornar-se chefe da nação, passa a valer-se de sua anterior (e farsesca) posição de “oprimido” para solapar resistências e positivar desmandos. E o povo, além de mais empobrecido, fica definitivamente sem voz. Na Rússia, na China e no Camboja a arbitrariedade apenas mudou de mãos, tornando-se voraz como nunca; em Cuba, uma favela carioca pareceria condomínio de luxo na parte não-turística da ilha; na Venezuela, Chávez diz “eu sou o povo” para justificar a progressiva supressão da democracia.


Hoje não há cristãos nazistas (espero!), mas há uma miríade de cristãos socialistas ou comunistas. É algo difícil de compreender. Em primeiro lugar, por que um seguidor de Jesus aderiria a um arremedo de plano da redenção? Para confessar esse endosso, precisaria necessariamente subverter todo o pensamento bíblico, substituindo a criação divina pela matéria autônoma, o pecado original pela propriedade privada, a salvação em Cristo pela revolução socialista. Se não o fez, é porque ainda oscila entre os dois mundos, sem perceber que são díspares — a cultura marxista mimetizando a cristã.


Em segundo lugar, por que um cristão se posicionaria a favor de um Estado forte que pune seus dissidentes? O processo de centralização do poder empurra a igreja ou para o servilismo ou para a clandestinidade onde quer que o socialismo seja implementado. De fato, Hannah Arendt estudou o totalitarismo e concluiu que o isolamento torna o ser humano muito mais vulnerável ao controle estatal. Por isso, esse regime ataca prioritariamente as livres associações (a família, a igreja, a escola, o comércio), buscando atomizar a sociedade no melhor estilo romano “dividir para conquistar”.

Ser socialista e cristão é tomar o partido de César, não de Cristo. Sobretudo, ser socialista e cristão no Brasil de hoje é assumir uma postura perigosíssima para a igreja. De várias maneiras, o governo atual, honrando suas influências teóricas e suas alianças internacionais, busca cada vez mais controle sobre a sociedade. É quando precisamos recorrer aos ensinamentos de Calvino e Kuyper: por causa do pecado, Deus instituiu os magistrados para punir os maus e garantir a ordem; porém, o Estado jamais pode ferir a soberania das esferas individuais, familiares e corporativas, pois a autoridade de cada esfera descende igualmente de Deus. Caso o faça, devemos orar para que retorne ao ideal divino, opondo-nos a cada atentado à liberdade e amparando os perseguidos. Mas isso só será possível se substituirmos a cosmovisão esquerdista por uma genuína cosmovisão cristã. Que Deus ajude a igreja brasileira nessa empreitada.


Fonte: NORMA BRAGA

ABAIXO-ASSINADO PELA LIBERDADE EM CUBA



O caso de Orlando Zapata Tamayo (ver meu post aqui) tem despertado pessoas em todo o mundo para protestar contra as condições desumanas da ditadura cubana. Quero juntar minha voz a esse coro pela libertação dos presos políticos em Cuba e pelo fim do cruel regime dos irmãos Castro. Se você também gostaria de participar desse clamor, assine aqui. O texto do abaixo-assinado em português:
Pela libertação imediata e sem condições de todos os presos políticos das prisões cubanas; pelo respeito ao exercício, promoção e defesa dos direitos humanos em qualquer parte do mundo; pelo decoro e o valor de Orlando Zapata Tamayo, injustamente preso e brutalmente torturado nas prisões cubanas, morto após greve de fome por denunciar estes crimes e a falta de liberdade e democracia no seu país; pelo respeito à vida dos que correm o risco de morrer como ele para impedir que o governo de Fidel e Raul Castro continue eliminando fisicamente aos seus opositores pacíficos, levando-os a cumprir condenações injustas de até 28 anos por "delitos" de opinião; pelo respeito à integridade física e moral de cada pessoa, assinamos esta carta, e encorajamos a assiná-la também, a todos os que elegeram defender a sua liberdade e a liberdade dos outros.
 
****
 
E não deixe de dar uma olhada:
No blog cubano que está veiculando o abaixo-assinado;

No vídeo da manifestação dos cubanos de Miami na embaixada brasileira nos EUA;

No desabafo de Marcelo Madureira (do Casseta & Planeta) sobre os "recados" do governo.
 
Fonte: NORMA BRAGA

terça-feira, 9 de março de 2010

DESIDRATADO, DISSIDENTE POLÍTICO MANTÉM GREVE DE FOME EM CUBA

da France Presse, em Havana

O jornalista cubano Guillermo Fariñas, em greve de fome desde 24 de fevereiro, está "fraco e muito desidratado", mas manterá seu protesto "até as últimas consequências", revelou o próprio dissidente à France Presse.
"Estou muito fraco, mas não tem volta, não recuo. Vou até às últimas consequências", disse Fariñas, que faz a greve de fome em Santa Clara (centro) para exigir a libertação de 26 presos políticos cubanos que estão doentes.

Dissidentes moderados em Cuba pediram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que interceda pela libertação dos presos políticos e evite assim a morte de Fariñas.

O jornal cubano "Granma", órgão oficial do Partido Comunista, qualificou a greve de "chantagem" inaceitável.

"Com isto, Fidel e Raúl Castro estão propondo um desafio à dissidência, de que não somos capazes de ser patriotas e ir até as últimas consequências", disse o jornalista, de 48 anos.

Fariñas sofreu na quarta-feira passada um choque hipoglicêmico e foi hidratado e alimentado por via intravenosa em dois hospitais de Santa Clara.

Segundo Ismel Iglesias, médico particular do dissidente, Fariñas "está muito desidratado", com os "lábios secos e rachados" e "uma constante dor de cabeça".

"Sua condição física se deteriora e a partir de amanhã (quarta-feira) ele poderá sofrer um choque a qualquer momento", advertiu Iglesias.

O dissidente, que iniciou seu protesto pouco depois da morte do preso político Orlando Zapata, após dois meses e meio de greve de fome, rejeitou na segunda-feira uma proposta de asilo político na Espanha, realizada por um diplomata espanhol.

Fariñas também negou os pedidos de Madri e de opositores cubanos para que desista da greve de fome e poupe sua saúde.

FONTE: AQUI

segunda-feira, 1 de março de 2010

LULA, CUBA E OS DIREITOS HUMANOS por Julio César - Psicólogo e mestrando em Ciências da Religião

A bajulação dos companheiros Lula, Franklin Martins e Marco Aurélio Garcia aos irmãos Castro, os ditadores cubanos, Fidel e Raul, e o descaso com a morte do pedreiro Orlando Zapata, prisioneiro político cubano, condenado a 25 de prisão por se opor regime, que veio a falecer após 85 dias de greve, ilustra a política de do is pesos e duas medidas, de grande parte da esquerda latina americana, em relação aos direitos humanos e à democracia. Descaso que já havia se manifestado em 2003 com o fuzilamento de três dissidentes políticos e em 2007, quando o governo Lula entregou gentilmente através do despacho de Tarso Genro, os boxeadores cubanos que tinham se refugiado no Brasil após os jogos Pan-Americanos do Rio. Gentileza que ele não que prestar ao governo italiano entregando Cesare Battisti. Por uma razão clara, quando os assassinatos e seqüestros são feitos em nome da revolução vermelha eles são coroados de honra.

Há um ano quando o publisher da Folha de São Paulo, Otávio Frias Filho, publicou um editorial infeliz no qual chamou o regime militar brasileiro de “ditabranda”, embora tenha assim adjetivado em comparação com as ditaduras socialistas, a esquerda entrou em chilique, teve ataques histriônicos. Capitaneada por seus gurus, Maria Vitória Benevides, Fábio Konder Comparato e Antonio Cândido, fizeram barulho na mídia evacuando se us surtos de indignação. Reação compreensível já que para quem tomou soco na cara, no estômago, sofreu afogamento e estupro, ou teve um ente querido morto pouco importa se o caso foi um entre 300 ou um entre 300.000. A vida foi violada na sua dignidade, de forma covarde. Chamar de “ditabranda” o regime que provocou isso, mesmo que não tenha sido esta a intenção, soou como uma relativização ao sofrimento alheio, um desrespeito a sua sensibilidade.

Agora, o que não é compreensível é que não tenham tido surtos de indignação com o assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia, que minimizou a morte de Zapata e se esquivou de denunciar a violação dos direitos humanos em Cuba, o que dizendo que há problemas de direitos humanos em todo mundo. Como não deduzir que suas palavras pedem a resignação dos dissidentes cubanos e dos opositores da ditadura castrista aos a violação dos direitos humanos na ilha. Por que, então, para ser coerente não manda seus camaradas de esquerda parar de protestar contra as torturas perpetradas pelo governo estadunidense nos prisioneiros da Base de Guantánamo em Cuba, já que há problemas de direitos humanos em todo mundo, inclusive na maior democracia? Cadê o protesto de Marilena Chauí, Emir Sader e Chico Buarque, dessa gente tão “sensível” aos direitos humanos?

Quando o então presidente hondurenho, Manuel Zelaya, foi deposto pelos militares, legitimados pela Constituição, porque começou a “arregaçar as mangas” para fazer sua “aventura bolivariana” à moda de Chávez e Morales, e se prolongar no poder, a mesma esquerda se levantou em protesto contra a violação da ordem democrática. A mesma ordem democrática que Fidel derrubou há 51 anos, e Chávez derruba gradualmente há 12 com a cumplicidade dela. O governo brasileiro, inclusive, hospedou o golpista na embaixada brasileira, que serviu de base a turma de Zelaya maquinar suas, felizmente, frustradas tentativas de retomar o poder.

Lula não reconhece até hoje a eleição democrática de Porfírio Lobo sob o pretexto de não estimular novos golpes a ordem democrática, como se fosse os militares hondurenhos e não Zelaya, seu camarada, o golpista. Por que Lula não aplica em Honduras aquilo que disse ter aprendido, quando indagado sobre seu silencio sobre as violações aos direitos humanos em Cuba, que não se deve “dar palpitas em outros países”? Por que ele só aplica isso em relação à Cuba, Venezuela e Irã e não em relação à Honduras, aos Estados Unidos e à Israel?

Ora, a razão é simples. Assim como a elite econômica brasileira, em sua maioria, apenas tolera Lula e o PT, mas tendo uma oportunidade de mandá-los não hesitará, apesar de ter sido muito bem tratada por ele, semelhantemente é a esquerda latina-americana, em sua maioria, em relação à democracia. Ela apenas tolera a democracia. Suporta conviver na democracia enquanto não tem crédito popular e condições concretas para destruí-la. Seu instinto autoritário não foi modificado, está contido. Manifesta-se periodicamente de forma sutil através de flertes sinuosos tipo, Conselho Nacional de Jornalismo e Programa Nacional de Direitos Humanos, para ver a reação do público, e saber s e avança, recua ou disfarça. O máximo de democracia que um esquerdista revolucionário tolera é intrapartidária. Para quê democracia num governo que encarnaria a vontade do povo? Liberdade para expressar opinião contrária ao povo, que a história os vocacionou como os legítimos representantes?

O perigo maior, porém não está em Lula, esse é um carreirista, um camaleão. Um esquerdista autêntico, em privado, reconhece isso. O perigo está na esquerda ideológica e ressentida, viúva de Marx, que tem fantasias eóticas com Lênin, Trotsky e Che Guevara, que ficou em segundo plano em seu governo e agora vê na eleição de Dilma Roussef a possibilidade de sair da periferia para o centro do poder, de fazer a sua desforra, de saciar seus desejos burgueses recalcados. Que tem olhos para ver enxergue.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

VERDADES E MENTIRAS SOBRE O GOLPE DE 1964, A DITADURA MILITAR E A POSTURA DOS EVANGÉLICOS À ÉPOCA

Pr. Silas Daniel
Em 2009, o Golpe de 1964 completou 45 anos. Como era de se esperar, várias manifestações na mídia impressa, televisiva e virtual marcaram a data. Nem todas, porém, justas. Alguns equívocos muito comuns foram repetidos. Por exemplo, as afirmações de que o Golpe de 1964 veio para instaurar uma ditadura no Brasil (quando, na verdade, a Ditadura Militar foi um desvio da proposta do movimento de 1964 e que só ocorreu um ano depois da deposição de Jango); que a deposição de Jango foi “uma tremenda injustiça”; e que os Estados Unidos idealizaram e patrocinaram o Golpe. Essas distorções só prosperam hoje porque, infelizmente, já faz alguns anos que uma educação com viés de esquerda prevalece nas escolas desse país, distorcendo os fatos e reescrevendo a História.

[Este artigo trata das] versões falsas sobre aquela época de nossa história, distorções estas que, inclusive, têm levado muitos crentes a fazerem julgamentos equivocados sobre o comportamento que a igreja evangélica brasileira teve em relação à deposição de Jango e à Ditadura Militar.

Sim, os evangélicos foram condescendentes com o movimento de 1964, mas, para entender essa atitude, é preciso saber o que o governo Jango estava fazendo à época para provocar essa reação radical da sociedade brasileira, e pelo que lutou realmente esse movimento de deposição, para, então, finalmente, entendermos porque não apenas os evangélicos, mas todos os setores da sociedade civil brasileira e a maioria da população, apoiaram a deposição de Jango. Não, não concordo com golpes de Estado, mas, ao conhecer a conjuntura do movimento de 1964, dá para entender as razões pelas quais a igreja não viu aquele movimento como um mal.

Sim, os evangélicos também foram condescendentes com a Ditadura Militar que veio depois (embora, neste caso, relativamente), assim como a maioria esmagadora da população daquela época apoiou o regime (especialmente no período de 1964 a 1982). Mesmo preferindo obviamente a democracia à ditadura, os evangélicos agiram assim porque sabiam que seu papel, como Igreja, não era partir para o confronto com os militares em prol da democracia, assim como a Igreja Primitiva não se engajou em nenhuma luta pela derrubada do Império Romano, nem mesmo quando Roma passou a perseguir os cristãos a partir do final dos anos 60 da Era Cristã. Os evangélicos sempre foram ordeiros e, como povo ordeiro, não poderiam coadunar com badernas, guerrilha, desordem e movimentos que tentavam derrubar o regime pela força. E em sua esmagadora maioria, não compactuavam com as teologias esposadas pelos que se opunham ao regime em nome da “fé cristã” (refiro-me à Teologia da Esperança e à Teologia da Libertação, que levaram seus adeptos a confundirem socialismo com fé cristã e a muitos deles entrarem para a guerrilha).

A igreja evangélica também estava ciente do que fizeram os comunistas na China, Cuba, URSS e Coréia do Norte (matando, inclusive, milhões de cristãos), o que a levava a valorizar o importante combate que os militares realizavam contra os grupos terroristas que lutavam para implantar o comunismo em nosso país. Por sua vez, o regime militar ainda garantia a liberdade religiosa e honrava as igrejas cristãs de forma geral, que gozavam do respeito e apreço dos militares. Finalmente, os evangélicos da época, como a maior parte do povo, reconheciam o fato de que os principais culpados pelo abortamento do retorno programado - pelos militares - às eleições diretas (falo disso no segundo artigo), bem como pelo endurecimento e excessos dos militares durante o regime, foram os terroristas de esquerda, que promoveram destruição e caos, mataram mais de 130 pessoas, seqüestraram, e assaltaram bancos, casas e carros. Os militares apenas reagiram a eles, embora tenham se excedido nesse processo, cometendo crimes. Hoje, omite-se deliberadamente que os terroristas já haviam matado dezenas de pessoas de 1964 até dezembro de 1968 antes de o regime instaurar o AI-5, começando a repressão e dando meia volta volver no processo de retorno à democracia plena.

Para ler o resto do artigo, que contém informações muito importantes, siga este link: http://silasdaniel.blogspot.com/2010/01/verdades-e-mentiras-sobre-o-golpe-de.html

Divulgação: http://www.juliosevero.com/