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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Não podemos esquecer que a atual política de "direitos humanos" do PT e de inspiração iluminista são DIREITOS DESUMANOS. Prof. Luis Cavalcante

Direitos desumanos


Desumano decreto presidencial engana o povo com medidas opressivas e ditatoriais

Julio Severo

Bem ao estilo soviético, Lula mostrou todas as suas unhas vermelhas, dos pés e das mãos.

Seu decreto presidencial de “direitos humanos” (Decreto 7037, de 21/12/2009, 3º Plano Nacional de Direitos Humanos), pretensamente feito com a aprovação e consenso do povo, viola os mais importantes direitos dos cidadãos brasileiros, dando para o mal a capa de “direitos humanos” e despindo a maior parte da população de seus legítimos direitos.

Para quem não sabe, na União Soviética, o maior modelo prático de socialismo do mundo, tudo era feito “no nome do povo”. Os tribunais, que condenavam inocentes e protegiam os criminosos do partido único, eram os tribunais “do povo”. Reagir contra essa “justiça” era considerado crime contra o próprio povo. O povo inocente era condenado em seu próprio nome!

É óbvio que toda essa conversa “do povo” e “para o povo” era na verdade apenas a dissimulação da própria arbitrariedade estatal. O Estado podia livremente violar direitos sob a desculpa de estar agindo “nos melhores interesses do povo”.

Não muito diferente, o governo socialista do Brasil alega sempre estar agindo “nos melhores interesses” dos pobres, ou dos oprimidos, ou dos deficientes, ou das mulheres, ou dos negros e agora dos gays — na mais avançada e modernizada malícia marxista.

Os comunistas soviéticos cometeram horrendos genocídios — tudo em nome dos melhores interesses do povo. Hoje, a sede de sangue e de aniquilação moral e ética vira, no decreto de Lula, defesa dos “direitos humanos”: aprovar o aborto, legitimar a prostituição, legitimar como “casamento” a conjunção carnal de dois homens moralmente pervertidos, legitimar como “cultura” a imposição das religiões afro-brasileiras nas escolas, deslegitimar e condenar os símbolos cristãos em estabelecimentos federais, canonizar terroristas comunistas, etc.

Em meu artigo Presente das Trevas, publicado no dia 22 de dezembro de 2009, alertei o Brasil que enquanto todos estavam descansando e curtindo a família e o feriado, Lula e seus camaradas estavam armando sua desumana bomba de “direitos humanos”. A bomba, entregue como decreto presidencial em 21 de dezembro de 2009, terá efeito devastadoramente letal se a população não se manifestar com força e coragem.

Se o decreto vermelho e moralmente invertido de Lula prevalecer, todos terão “direitos humanos” no Brasil, até “ratazanas”. Todos, menos os inocentes. Seu decreto na verdade decreta a extinção da moral, da ética, da propriedade privada, da liberdade de expressão e, com a aprovação do “casamento” gay, da liberdade religiosa.

O decreto de Lula estabelece várias medidas recheadas de malícia ideológica no mais elegante estilo soviético de distorção das palavras e da realidade, apresentando como “direitos humanos” as seguintes aberrações:

* A profissionalização da prostituição.

* O controle da imprensa e da internet.

* O banimento de símbolos cristãos nos estabelecimentos públicos.

* A promoção das religiões afro-brasileiras como “cultura” dos descendentes dos escravos trazidos da África.

* A descriminalização do aborto.

* A legitimação do “casamento” gay e de adoção de crianças por esses “casais”.

Nada disso se parece, nem de longe, com direitos humanos para uma mente minimamente normal. Mas quando os anormais estão no poder, o que se pode esperar?

É claro que, mesmo sem esse decreto, Lula e seu governo já estavam lutando para avançar cada uma dessas metas. O propósito do decreto é simplesmente passar por cima de toda a resistência do povo e fazê-lo engolir de uma vez tudo o que já foi decidido, selado e aprovado pelos “tribunais do povo”.

Li hoje que, na classificação da Missão Portas Abertas, o país que mais persegue e mata cristãos no mundo é a Coréia do Norte. Em segundo lugar está o Irã — o mesmo Irã cujo presidente odiador de Israel mantém amizade com Lula.

Lula se lembrou alguma vez de mencionar para Mahmoud Ahmadinejad que matar cristãos é violar direitos humanos? Lula se lembrou de fazer um justo decreto presidencial condenando Ahmadinejad e seu governo por crimes e abusos de legítimos direitos humanos contra os cristãos do Irã?

Essa é a essência da ética de Lula e seu governo, que usam e abusam do termo “direitos humanos” para defender e homenagear até terroristas comunistas, inclusive roubando dinheiro do povo brasileiro para escandalosas e injustíssimas indenizações. E o decreto presidencial dele ordena a transformação desses criminosos em heróis. E adivinhe quem vai ser rebaixado e humilhado para a categoria de criminoso e “violador de direitos humanos”? Não, não vai ser Ahmadinejad.

Para Ahmadinejad, Lula e seu desgoverno demonstram carinho, respeito, consideração, etc. Para os inimigos da arbitrariedade estatal travestida de “direitos humanos”, o peso da “justiça” dos tribunais “do povo” ou dos “direitos humanos” — tanto faz. Os iminentes tribunais anti-“homofobia” darão amplas demonstrações dessa arbitrariedade.

Lula já decidiu: os cadáveres mutilados e estuprados dos cristãos torturados e massacrados no Irã não têm valor nenhum para a sua ambiciosa agenda ideológica. Não haverá pois nenhum decreto presidencial em defesa dessas ou outras reais vítimas de violações de direitos humanos.

A esquerda malvada continuará aplaudindo e apoiando Lula com Ahmadinejad, Fidel Castro, Hugo Chavez e outros autênticos violadores de direitos humanos. E continuará aplaudindo seu decreto presidencial, que garantiu um Natal vermelho — uma vermelhidão tenebrosa que, se não houver resistência e luta, estenderá suas nefastas conseqüências por muito tempo. O feriado do Natal passou, mas ainda estamos engasgados e passando mal com o decreto do mais puro e imoral néctar soviético.

Como sempre, o povo espera, de mãos estendidas, presentes e favores do governo, com a ilusão de que o governo é a fonte de todas as soluções. Mas o governo brasileiro não é papai-noel. E mesmo que fosse, seria também ficção, não realidade. A única realidade inegável é que os imensos problemas éticos e morais que o Brasil está enfrentando têm como maior causa o próprio governo. O decreto de Lula é a prova mais viva do que um mau governo pode fazer contra seu próprio povo, em nome do próprio povo!

Contudo, há esperança: o povo que elegeu essa vermelhidão tem sempre o direito democrático de derrubá-la.

Fonte: http://www.juliosevero.com/

terça-feira, 6 de julho de 2010

A política como jogo de interesses pessoais e a postura cristã

por Cicero Ramos

Porque a política e os políticos gozam hoje de uma reputação tão baixa? Idealmente, o estrato político deveria ser de uma impoluta postura, posto que exercem funções públicas visando o bem-comum. Acontece, que muitos jogam no time de Nicolau Maquiavel, autor deO Príncipe onde dissemina a ideia de que “a política é um jogo sofisticado, delicado e complexo, que para ser entendido (por quem joga ou por quem observa) exige que prestemos atenção às qualidades e à sorte dos jogadores, à sua perspicácia e à sua força e, principalmente, aos recursos de poder que estão em jogo” (Tosi, Alberto, Política, artigo, in Portal da Filosofia).

Pois na grande maioria das vezes quando olhamos para a classe política, não só no Distrito Federal, mas também nos governos estaduais e municipais em nosso amado país, vemos que as coisas acontecem exatamente desta forma. O maquiavelismo de nossos políticos já se tornou proverbial. Prevalece o jogo de interesses, o ganho por fora, o “é dando que se recebe”. Logicamente não está incluída toda a classe de governantes e legisladores. Mas, a corruptocracia é tão deliberada que até os “bons” (?!) estão aderindo à síndrome de “Justo Veríssimo”, famoso personagem do comediante Chico Anysio, que encarna exatamente um político desonesto e que tinha “horror a pobre”.

Leviandades não faltam entre eles. O que importa não é tanto a lealdade a alguém ou a alguma plataforma política, mas o que realmente lhes interessa são os seus interesses escusos. Não primam pela ética em sua atividade parlamentar, mas, em realidade, posam de bonachões irrepreensíveis para suas bases políticas. Acerca da ética, Marilena Chauí em seu excelente livro Convite à Filosofia, nos ensina que, para os gregos, era inconcebível a ética fora da comunidade política – a polis (cidade) como koinonia ou comunidade dos iguais – , pois nela a natureza ou essência humana encontrava sua realização mais alta. Chauí nos ensina ainda que Platão identificara a justiça no indivíduo e a justiça na polis. Já Aristóteles subordina o bem do indivíduo ao Bem Supremo da polis. Esse vínculo interno entre ética e política significava que as qualidades das leis e do poder dependiam das qualidades morais dos cidadãos e vice-versa, das qualidades da Cidade dependiam as virtudes dos cidadãos. Somente na Cidade boa e justa os homens poderiam ser bons e justos; e somente homens bons e justos são capazes de instituir uma Cidade boa e justa (Convite à Filosofia, p.497).

E o cristão, de que maneira deverá lidar com esta área, alvo de tanta polêmica, mas que é necessária na sociedade humana? Precisamos aprender de uma vez por todas que fazer política não é pecado, pecado é a politicagem, entendida como prática política sem o entendimento ético. John Stott, notável erudito cristão, em seu livro O Cristão em uma Sociedade Não-Cristã, falando sobre a relação entre a Igreja e a política, cita o Pacto de Lausanne, onde se observa não só apenas a questão da responsabilidade social, como também o envolvimento sócio-político. Stott define o termo “política”: As palavras “política” e “político” tanto podem ter uma definição ampla quanto limitada. O conceito mais amplo de “política” denota a vida da cidade (polis) e as responsabilidades do cidadão (polites); ou seja, tem a ver com o todo da nossa vida na sociedade humana. Política é a arte de viver juntos em comunidade. De acordo com sua definição mais limitada, no entanto, política é a ciência de governar; é a preocupação com o desenvolvimento e a adoção de políticas específicas que serão consagradas pela legislação.”

Em seguida, Stott passa a considerar a relação entre o “social” e o “político”, usando agora esta palavra em seu sentido mais específico.Serviço Social: 1) Socorrer o ser humano em suas necessidades; 2) Atividades filantrópicas; 3) Procurar ministrar a indivíduos e famílias; 4) Obras de caridade. Ação Social: 1) Eliminar as causas das necessidades humanas; 2) Atividades políticas e econômicas; 3) Procurar transformar as estruturas da sociedade; 4) A busca da justiça. Portanto, devem os cristãos envolver-se na política, não somente no âmbito do serviço social, a fim de que a transformação de estruturas injustas na sociedade sejam buscadas. Fica a pergunta: Como isto sucederá se políticos (dizendo-se cristãos evangélicos) se deixam corromper, se buscam cargos visando sua locupletação?

Quero citar aqui dois grandes exemplos de cristãos evangélicos (obviamente, existem inúmeros outros) que não se deixaram corromper e serviram em cargos eletivos como autênticos servos de Jesus Cristo. O primeiro é o inglês William Wilberforce. Foi contemporâneo de John Wesley, era parlamentar, tendo junto com seus amigos, também crentes em Jesus e parlamentares como ele mesmo, grande atuação para que acabasse o tráfico de escravos africanos, reforma penal e parlamentar, educação popular, nas obrigações britânicas para com suas colônias (especialmente a Índia). Promoveram campanhas contra os duelos, muito comuns naquela época, os jogos de azar, a bebedeira, a imoralidade e os esportes em que se maltratavam os animais. Wilberforce e seus amigos eram movidos por sua inabalável fé evangélica. Outro grande cristão digno de nota é Abraham Kuyper, holandês, fundador da Universidade Livre de Amsterdan e que tornou-se primeiro-ministro. Kuyper foi notável em vários aspectos. Doutor em Teologia aos 26 anos de idade, um ano depois começa a exercer seu primeiro pastorado. Por mais de 45 anos foi editor de dois jornais evangélicos, sendo que um deles representava o contingente protestante da nação holandesa. Em 1874, foi eleito membro da Casa Baixa do Parlamento, função que exerceu até 1877. Em 1880, fundou a Universidade Livre de Amsterdam, a qual tomava a Bíblia como a base incondicional sobre a qual deveria ser erguida toda a estrutura do conhecimento humano em cada departamento da vida. Em 1901, a convite da Rainha Wilhelmina, é nomeado primeiro-ministro até o ano de 1905. Uniu em sua pessoa de forma extraordinária as funções de estudante, pastor, pregador, lingüista, teólogo, professor universitário, líder de partido, estadista, filósofo, escritor, cientista, publicista, crítico, filantropo.

Nunca deveremos portanto aceitar, ser condecendentes com pseudo-cristãos que exercem cargos públicos e envergonham ao Senhor da Glória ao utilizarem-se da política para seus próprios e escusos interesses pessoais. Entram neste jogo de corpo e alma. Não demonstram arrependimento. Não lhes arde a consciência. Na verdade, o que falta para muitos, além de conhecerem a Palavra de Deus e o Deus da Palavra, é uma educação política, para compreenderem como deveriam lidar com esta dimensão em suas vidas. É inegável que muitos tem um chamado, uma vocação para a vida pública. Creio que Deus vocaciona ainda hoje, como foi com José do Egito e Daniel na corte babilônica. Mas é necessária uma educação elementar política, principalmente e acima de tudo com ênfase no temor a Deus e na ética.

Por uma política exercida com ética, por uma política sem a porca politicagem. Por cristãos conscientes, sabedores que podem e devem exercer a política com sabedoria e ética. Que podem e devem exercer cargos públicos procurando a excelência em tudo o que fizerem. Wilberforce e Kuyper com suas vidas de santidade ao Senhor e serviço aos seus semelhantes, provaram isto sobejamente.

Porque isto não deveria ser uma realidade hoje?

Pense nisto.

Fonte: http://observateologia.blogspot.com/2010/06/politica-como-jogo-de-interesses.html

sábado, 3 de julho de 2010

A VISÃO CRISTÃ DO ESTADO por Guilherme de Carvalho

“Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, porque são muitos, e em cavaleiros, porque são mui fortes, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao SENHOR!

Pois os egípcios são homens e não deuses; os seus cavalos, carne e não espírito. Quando o SENHOR estender a mão, cairão por terra tanto o auxiliador como o ajudado, e ambos juntamente serão consumidos.”


Isaías 31.1,3


Há uma perspectiva cristã do Estado? Há quem pense que o cristianismo não tem nada que ver com Estado - nem com política; que a religião não tem nada a ver com política. Não no sentido de que a religião não se mescle com a política, pois isso sim, acontece sempre, mas no sentido de que a religião não deveria se misturar com a política nem se intrometer em coisas de Estado. Alguns mais radicais sustentam, inclusive, que a verdadeira política é incompatível com a religião.


Há, por outro lado, quem defenda uma espécie de cessar fogo: cuius regio, eius religio - ou, guardadas as proporções, “cada um no seu quadrado”. Na igreja Deus é Jesus; na câmara, é o Estado.


Finalmente, há quem realmente tome essa solução pragmática como princípio ideológico – que Jesus nos leva para o céu, e o Estado cuida de nós aqui na terra. Portanto o bom cristão deveria ver em um projeto de Estado secular a cura para as mazelas da sociedade.


Mas será isso possível? Que intenções têm o Estado moderno ao propor (ou impor) essa solução à religião? É possível identificar a política cristã com uma aceitação tranquila dessa ordem de coisas.


A Política Secular: Religião em Cárcere Privado


Tomemos como referência aqui, um filósofo contemporâneo; um francês, (previsivelmente): Christian Delacampagne. Não porque ele seja muito importante no campo (não é), mas porque representa bem o tipo de mentalidade que pretendemos pôr em questão. Podemos nos sentir gratos pela sua formulação sucinta e clara do problema: “como o religioso, na sua ambição de constituir o ‘laço’ social por excelência (esse é o sentido do latim religio), pode coexistir com o político, cuja ambição é análoga?”


Delacampagne tenta lidar seriamente com o problema, perguntando se o poder político “deve”, e se “pode” se separar do poder religioso. A sua resposta à primeira questão é que ele deve se livrar da tutela religiosa, por uma questão de sobrevivência. Porque, segundo ele, a democracia depende, para funcionar, de uma abordagem pragmática das questões; um partido, por exemplo, deve representar os interesses de certo grupo, não uma verdade absoluta, que deva ser imposta a todos. A política seria um jogo, cujas regras excluem a universalidade, mas a religião, por sua natureza, não pode respeitar essas regras. Ela atua a partir de absolutos, não de considerações meramente pragmáticas. Com efeito,


“Na medida em que considera o pluralismo desejável, como deve fazer se quiser ser democrático, o poder político deve opor-se à simples idéia de ‘partido religioso’, isto é – pois todas as religiões tendem a formar partidos desse gênero – opor-se à religião em geral.”


Mas pode, a política, separar-se da religião? Sim, desde que ela delimite com clareza as duas esferas. Para o filósofo, temos uma esfera “privada” e uma esfera “pública”, que ele define como “sociedade civil” ou Estado. O caminho, seguido pelo ocidente, foi o de “dar a extensão mais vasta possível à esfera ‘pública’ (incluindo progressivamente nela a maioria das atividades sociais, de maneira a subtraí-las à influência da religião).” O homem seria perfeitamente capaz de atingir a “virtude cívica” necessária para manter todo o espaço público funcionando bem, sem o auxílio da religião, que seria mantida na esfera da consciência individual.


E desde que a religião traz, dentro de si, a tendência de lutar para recuperar a sua “essência”, ou “fundamento”, é imperativo que ela seja mantida em seu devido lugar; do contrário, o fenômeno universal e periódico do fundamentalismo ameaçará a própria base do Estado Moderno, que seria, para Delacampagne, nada menos que “uma verdadeira separação entre o político e o religioso”. Contra essas ameaças, ele enuncia seu “princípio regulador”:


“[...] que a tolerância mais ampla possível seja dada a todas as confissões – desde que nenhuma delas seja autorizada a intrometer-se no funcionamento das atividades sociais.

Em resumo, desde que o Estado continue sendo a única instância capaz de determinar aquilo que, no interior do espaço público, é ou não legítimo.”


O programa deste filósofo francês é claro como o meio-dia: a repressão da expressão pública da religião, e a garantia de sua manutenção na esfera privada, ou no cárcere privado, para sermos claros também. Mantendo esse “monstro” no cárcere, veremos a liberdade e a política florescerem na esfera pública...


Contra a Idolatria Política


Somente a admissão tácita de certa concepção totalista de Estado pode fazer alguém ler as palavras de Delacampagne sem perceber que há algo muito problemático em seu argumento. O filósofo supõe, em toda a discussão, uma identidade entre “esfera pública” e “Estado”, “sociedade civil” e “Estado”, o que é patentemente falso. O público, e o civil, não é o mesmo que “o político”. Há uma diversidade de esferas além da esfera “privada” e da esfera “política”: há a moralidade, a arte, a economia, a ciência e as relações de sangue. Essas esferas compõem o todo da vida social, mas são anteriores ao Estado, e não devem sua lógica interna ao Estado. A política e o Estado têm responsabilidade por apenas uma dimensão da vida pública, que é a da justiça. A dimensão da arte, por exemplo, é responsabilidade dos artistas e apreciadores da arte, e não do Estado.


Mas, como Delacampagne observou, o Estado Moderno se constituiu por meio de uma expansão na qual reprimiu a influência religiosa “da maioria das atividades sociais”, por meio do controle de cada uma delas, para garantir a sua “laicidade” e eliminar nelas os absolutos religiosos.


É claro que tudo isso já estava embutido na primeira pergunta do autor: quem produz o laço social, por excelência? Pode a religião e a política conviverem, se tem a mesma ambição? Uma pergunta deliciosamente reveladora, ao pôr diante de nós a fantástica pretensão do Estado Moderno de se constituir no laço social por excelência, tragando as formas mais antigas de associação humana em seu divino estômago.


Então há, acima de qualquer dúvida, um conflito entre a política e a religião! Há, na medida em que a política deseja ser, ela mesma, a religião. O Estado Rousseauniano de Delacampagne, totalista e vigilante, cioso de sua secularidade, absoluta e indivisivelmente soberano, não passa de uma divindade concorrente com o Teísmo. A política laica de Delacampagne é mais uma das expressões da religião do humanismo secular, que pretende controlar cientificamente o homem, para garantir a sua liberdade – mesmo que, para tanto, tenha que torná-lo seu escravo.


A responsabilidade atribuída por Delacampagne ao Estado, de determinar sozinho o que é legítimo no espaço público, é absolutamente ridícula. Deverá o Estado decidir qual o método científico legítimo? E o que é arte? E qual a melhor ética sexual? Ou o que é e o que não é prejudicial à família? Ou se, afinal, precisamos de famílias? Pode-se, naturalmente, objetar que o termo “público”, aqui, tem sentido restrito. Talvez, na mente do autor; mas não em seu argumento. De todo modo, o ponto é que o Estado, e a política, tem uma esfera própria, que é a esfera da justiça. Compete ao Estado a justiça pública, e o que for estritamente necessário à realização dessa justiça; e cabe à política a luta por sua representação e implementação adequada.


Essa forma de pensamento estatista me faz lembrar da saga fantástica O Senhor dos Anéis, de Tolkien. A maldição da Terra Média estava na existência do um anel, que concentrava todo o poder. Os teóricos do Estado absoluto parecem não perceber – e isso fica maravilhosamente claro nas especulações de Delacampagne – que a religião, ironicamente, é uma indispensável salvaguarda à liberdade dos indivíduos e das diferentes esferas da sociedade, na medida em que fere Leviatã no próprio coração, desmascarando as pretensões teológicas do Estado de instaurar-se como Deus e Senhor da sociedade.


Uma política cristã existe, assim, tendo obrigações para com Deus e para com o homem. Para com Deus, é seu dever combater a idolatria política. Li, em certa ocasião, a declaração de um grupo de cristãos (do “MEP” – Movimento Evangélico Progressista), para os quais “a visão cristã do Estado é de que o Estado não deve ser cristão”. Um princípio importante, embora excessivamente concordista com a modernidade. Adverte muito bem contra a forma errada de interagir com o Estado, mas nada diz sobre a forma justa. Tornou-se assim politicamente corretíssimo. Rousseau, Delacampagne, Dawkins e a ala anti-religiosa do PT diriam amém (talvez até um “glória a Deus”).


Parodiando essa declaração, no entanto, eu diria que a visão cristã do Estado é, antes de tudo, que o Estado não deve ser Deus. A tarefa teológica da política cristã é a luta contra a idolatria política; é a luta pela reforma do Estado, para que ele se veja redimido de sua fome totalista, e se dedique à sua tarefa divinamente ordenada, é respeitando a soberania das outras esferas da sociedade.


Sem dúvida, isso não diz tudo sobre a visão cristã do Estado. A igreja tem uma tarefa teológica, de combater a idolatria política, mas também uma tarefa antropológica, de promover a justiça política; isso significa que uma política cristã precisa, sem dúvida nenhuma, educar o Estado para a justiça. Mas ela não poderá realizar essa tarefa se colocar os carros na frente dos bois: cumprir a segunda tábua da Lei, deixando de lado a primeira. Não: combata-se a idolatria, e então seguir-se-á a justiça.


O Brasil: Um País Politicamente Idólatra


No universo verde-e-amarelo florescem as condições adequadas a um Estado tirânico. Em 2002 ou 2003, eu tive a oportunidade de assistir a uma entrevista sobre a atitude política brasileira, veiculada pela Globo, do famoso antropólogo brasileiro Roberto da Matta, que à época já estava trabalhando como professor na universidade de Notre Dame, em Indiana. Da Matta, talvez sob o impacto da mudança cultural, fez uma breve comparação entre os norte-americanos e os brasileiros. Segundo ele, há uma nítida diferença de postura entre os dois povos; os americanos não constroem suas esperanças sobre o Estado; a sociedade civil é fortíssima, no sentido de que as pessoas se organizam de modo voluntário e quase automático para resolver seus problemas. O brasileiro, em contrapartida, raciocina em termos paternalistas, esperando que um “poder superior” solucione suas dificuldades sem que ele precise agir diretamente. Como exemplo, ele apontou a temática de certa escola de samba (já não me lembro qual), no carnaval daquele ano. O desfile inteiro apresentou as mazelas sociais do Brasil, denunciando a pobreza, a corrupção, etc; ao final, o último carro alegórico trazia uma imagem enorme de Lula, de braços abertos, representando a esperança para o futuro.


E, enquanto aguarda com expectativa a vinda do seu “Cristo Redentor” político, o brasileiro cruza os seus próprios braços. Quando alguém toma uma atitude e organiza algum projeto social, as pessoas dizem – pessoas do governo, empresários e cidadãos comuns – que a sociedade civil está entrando onde o Estado não está cumprindo o seu papel – ora, ninguém duvida de que o Estado Brasileiro não cumpre o seu papel, mas a tarefa de construir uma sociedade justa é da própria sociedade, não do Estado. O Estado é uma ferramenta do povo, não seu Pai.


Eu diria, bem ao contrário, que precisamos agir rápido, tomar a frente e desenvolver projetos de transformação em todas as áreas da vida brasileira, antes que o Estado tome o controle delas! Os cristãos precisam fazer isso, não só porque a soberania de Deus precisa encontrar expressão em cada esfera da vida brasileira, mas também por que somente assim a nossa obrigação política para com Deus será cumprida: a obrigação de desmascarar a idolatria política e combater as pretensões teológicas do Estado.


Cristãos Entreguistas


Noutro dia desses a Norma Braga escreveu um provocativo texto para a Ultimato, intitulado “Porque não sou de Esquerda”. Gerou muitas respostas indignadas. Bem, eu discordo de muita coisa que a Norma costuma dizer em suas defesas do conservadorismo. As razões são compreensíveis para quem já leu algo do que publicamos sobre Cristianismo e Sociedade aqui na Ultimato.

Mas há um ponto em que a Norma está certíssima, e sei que vou exasperar meus amigos socialistas, do tipo que se sente atraído de um jeito ou de outro por ideais Rousseaunianos: sim, o Estado não é o Messias. Não, não podemos alugar os Egípcios para nos livrar dos Assírios. Chamar o Estado para nos salvar do Mercado é idolatria. Pura e simples idolatria.


É claro que o Estado deve zelar pela justiça pública. É claro que deve intervir quando o sistema econômico se torna injusto. Mas o Estado não deve deter em suas mãos o projeto nacional. Porque o Estado não é o País; o Estado não é a sociedade; sua Soberania é limitada e não vem do povo, mas de Deus. E o mais essencial na visão cristã do Estado é exatamente que o Estado não é Deus, nem deve cobiçar o Seu trono.


Vamos esperar em Jesus Cristo. E que ele nos salve dos Assírios, dos Egípcios e dos israelitas que confiam na cavalaria de Faraó.

Delacampagne, Christian, A Filosofia Política Hoje. Rio de Janeiro: Zahar, 2001, p. 31.
Ibid, p. 34.
Ibid, p. 35.
Ibid, p. 39.
Ibid, p. 41.

Fonte: GUILHERME DE CARVALHO