Mulher suicida em Atenas
Quem anda hoje nas ruas das maiores cidades portuguesas sente o retrocesso económico de Portugal ao período após o terramoto económico e social do PREC [Processo Revolucionário em Curso]; retirem da equação social certos gadgets tecnológicos — por exemplo, telemóveis, Internet e computadores — e o ambiente social é hoje semelhante ao de finais dos anos 70.
O progresso económico e social de Portugal, verificado nas décadas de 80 e 90, foi destruído por 10 anos de Euro e ao serviço dos interesses do directório europeu [aka, Alemanha].
A grande responsabilidade da verdadeira catástrofe social a que assistimos hoje cabe à classe política portuguesa, que colocou o povo português de cócoras. Não podemos culpar o povo por ter votado mal, porque não existiam — não existem, nem podem existir dentro do actual sistema político — alternativas às ofertas protagonizadas pela classe política. A democracia portuguesa entrou num rotativismo semelhante ao da monarquia constitucional de finais do século XIX.
A III república falhou.

Parece-me que a Grécia vai sair do Euro e vai ser atirada para a idade da pedra. Uma saída do Euro causará um retrocesso económico e social da Grécia para a década de 60 do século passado; estamos aqui a falar de uma redução de cerca de 70% do actual nível económico grego. Se a Grécia não tivesse entrado no Euro estaria, com toda a certeza, muitíssimo melhor do que está hoje. Porém, o problema que se coloca aos gregos é o de que, mesmo não saindo do Euro, o decréscimo do nível económico e social dos gregos não andará longe dos 50% — com a agravante de a Grécia entregar a sua soberania à Alemanha. É provável que a democracia grega esteja em perigo.
Embora a nossa classe política continue em estado de negação e a atirar areia para os olhos dos portugueses, o nosso problema é semelhante ao grego: a Alemanha irá pressionar Portugal para “sacar a massa”, e de tal forma que voltaremos ao tempo da agricultura de subsistência [o tempo do quintal com as batatas para fazer a sopinha] dos anos 60 e 70.
Estou convencido de que os números da nossa economia estão a ser manipulados e cozinhados pela classe política; não acredito que Portugal tenha tido apenas 1,5% de crescimento negativo em 2011, porque um crescimento negativo de 1,5% não teria as consequências que verificamos no aumento geométrico da criminalidade, de pedintes, de gente na rua que me pede 1 Euro, por exemplo, para dar 1 litro de leite ao filho. Mesmo em tempo de crise económica, a classe política da III república continua a ludibriar os portugueses.
O Euro dividiu a Europa, em vez de a unir. Isto é um facto insofismável, e só um burro não vê. Agora, é o tempo de apanhar os cacos; é o tempo da Pátria.